Fazenda vai fiscalizar no PR os 100 maiores devedores de FGTS
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quinta-feira, 24 de agosto de 2000
Carmem Murara De Curitiba 
A Procuradoria da Fazenda Nacional anunciou ontem que pretende fechar o cerco contra as 100 empresas maiores devedoras do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), no Paraná. O trabalho vai ser feito em conjunto com a Delegacia Regional do Trabalho e com a Caixa Econômica Federal. Os cálculos apresentados pela Caixa indicam que elas têm de devolver aos cofres públicos cerca de R$ 24 milhões. Se somar todas as empresas que recolheram o fundo dos trabalhadores, mas não repassaram para a Previdência, o débito salta para R$ 177 milhões.
O nome das empresas não é divulgado por questões legais, informou ontem o procurador geral da Fazenda Nacional, Almir Martins Bastos. Mas ele disse que a empresa que encabeça a lista deixou de pagar à Previdência R$ 2 milhões. Bastos afirmou ainda que o programa de recuperação do FGTS, lançado em Curitiba, já está sendo feito São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre. As demais capitais devem se integrar nas próximas semanas.
A pressão sobre as grandes empresas é uma tática que serve de exemplo para os demais inadimplentes, que serão rastreados com maior intensidade nos próximos meses. O contribuinte sempre aposta na ineficiência dos órgãos públicos em fazer cumprir a lei. Queremos mostrar que isso não é bem assim, disse Bastos. Ele admitiu que a campanha tem um apelo publicitário, pois quando o sonegador vê uma campanha como esta fica com receio de continuar na ilegalidade. Segundo Bastos, após campanhas semelhantes, a arrecadação sempre aumenta.
O superintendente nacional do FGTS, Joaquim Lima de Oliveira, disse que o trabalho em conjunto permitirá maior rapidez para fazer o ajuizamento das empresas que se recusarem a acertar as contas. Depois de ajuizar os processos, pedimos a penhora e em seguida cassamos os bens, disse Oliveira.
Com uma intensificação nas execuções judiciais, os fiscais da Delegacia Regional do Trabalho conseguiram recuperar R$ 66 milhões nos últimos nove meses no Estado. No mesmo período, 7 mil empresas tiveram seus débitos de R$ 1,2 bilhão regularizados junto ao FGTS, em todo o Brasil.
O delegado regional do Trabalho, Welington Cavalcanti, disse que a meta estipulada pelo Ministério da Fazenda para a recuperação das apropriações indébitas do FGTS era de R$ 22 milhões, mas já foi possível conseguir R$ 18 milhões. O acréscimo na arrecadação deve chegar a R$ 27 milhões.
No caso das 100 maiores devedoras, o processo de cobrança judicial esteve paralisado por falta de definição legal de competência, desde que houve a extinção do Banco Nacional de Habitação (BNH), em 1986. Hoje a Procuradoria da Fazenda é a responsável pelas execuções judiciais. A Caixa acompanha os ajuizamentos desde 95.


