Brasília – O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta terça-feira, 14, que o governo espera crescimento já sólido da economia ao longo de 2017, em especial no último trimestre do ano. Questionado a respeito dos dados do varejo divulgados mais cedo pelo IBGE, indicando queda de 2,10% nas vendas em dezembro ante novembro, Meirelles negou que o crescimento da economia, de forma geral, esteja demorando.

"Isso é um processo. O que fez com que o processo de retomada da economia não ocorresse imediatamente após a mudança na política econômica foi exatamente o alto nível de endividamento de pessoas e empresas. E, de um lado, as pessoas e empresas começaram a pagar suas dívidas e a diminuir seu endividamento já no meio do ano passado. E isso é positivo", afirmou o ministro.

Com dívidas menores as famílias e as empresas poderão retomar suas atividades e financiar o consumo, o investimento e a produção, avaliou o ministro. "A boa notícia é que este processo já está chegando ao seu final. O que foi crescimento econômico durante o ano de 2016, inclusive no final do ano, será positivo em 2017, na medida em que famílias e empresas começarem processo de tomada de crédito novamente", disse. "Portanto, está tudo dentro de previsões que já tínhamos, de crescimento negativo, sim, no último trimestre de 2016, mas de crescimento já positivo no primeiro trimestre de 2017."

No papel
Meirelles afirmou que os dados do varejo estão consistentes com o que espera o governo. "Eu havia dito que os índices antecedentes da atividade já haviam sido positivos no último trimestre do ano. Não foi o consumo, que é a ponta da cadeia. Inclusive mencionei a produção de papel ondulado", disse o ministro. "O papel é um bom indicador da atividade econômica para os meses seguintes. A mesma coisa com o valor dos pedágios. Isso significa que o início da cadeia produtiva já se movimentou no último trimestre. A ponta, ainda não."

O ministro afirmou que o processo é consistente e citou indicadores de maior produção já no primeiro trimestre de 2017. "Esperamos crescimento levemente positivo no primeiro trimestre e sólido e positivo no decorrer do ano, particularmente no fim do ano, quando aguardamos crescimento à taxa anualizada de 2%. (Esperamos ainda) crescimento no último trimestre de 2017, ante o último trimestre de 2016, de cerca de 2%."

Meirelles avaliou como positiva a redução das projeções de mercado para a inflação, como a observada na segunda-feira, 13, na Pesquisa Focus, em que a estimativa para o IPCA de 2017 passou de 4,64% para 4,47%.

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