São Paulo O empresário Samir Jubran, um dos maiores pecuaristas brasileiros com 150 mil cabeças de gado e venda de 30 mil bois gordos por ano , tomou uma decisão inédita. A fazenda Nova Damasco, localizada no município de Narandiba (SP), às margens do rio Paranapanema, será arrendada para se converter num imenso canavial.
Aberta em 1940, a Nova Damasco é uma das 11 propriedades de Jubran (dez em território brasileiro e uma em paraguaio). Tem área total de 9.367,8 hectares dos quais 8,8 mil hectares de pastagem. Neste espaço, a Jubran Engenharia e Agropecuária chegou a criar ao mesmo tempo 25 mil cabeças de gado, número que caiu para 11 mil nos últimos tempos.
Jubran apresenta duas razões básicas para a decisão de transformar a Nova Damasco num imenso talhão de cana: a baixa remuneração da pecuária associado ao alto valor da terra em São Paulo. ''A margem líquida anual da pecuária é de 1%. Com o arrendamento para a produção de cana, essa margem alcança os 5%. Meu risco é muito menor'', argumenta. Os custos crescentes para engorda de reses têm se tornado pesados e desestimulado a atividade pecuarista.
O cenário econômico da pecuária de corte não oferece, por ora, as garantias para novos investimentos. A fazenda de Jubran tem mais de 60 anos e necessitaria de grandes investimentos para recuperação da pastagem, um custo proibitivo se considerada a atual remuneração da atividade pecuária. ''Estas são terras cansadas que exigiriam muito investimento para recuperação. O arrendamento foi a melhor opção'', admite.
Com a mudança da Nova Damasco, Jubran passa a ter apenas uma fazenda dedicada à pecuária no Estado de São Paulo, a fazenda Ponte Funda, localizada no município de Presidente Epitácio, Extremo Oeste paulista, com apenas 2.854 hectares dedicados a criação de boi.
Jubran explica que todas as reses da fazenda que terá a atividade pecuária encerrada já começaram a ser distribuídas para as outras 10 propriedades, que ficam em Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. ''A pecuária tenderá a sair de São Paulo para regiões mais ao Norte do País, em terras mais baratas. O retorno econômico é muito baixo. Não é uma atividade que consiga se estabelecer em terras muito caras'', prevê Jubran.
Dos 8,8 mil hectares de área útil da fazenda Nova Damasco, 7 mil serão arrendados para produção de cana-de-açúcar. O restante, explica Jubran, será convertido em reserva legal.

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