Katia Baggio
Especial para a Folha
A fazenda Bonsucesso, de Ibiporã, 20 km de Londrina, pode se transformar na maior exportadora de uvas. Foram investimentos mais de R$ 1,7 milhão na implantação de 30 hectares do produto. Poderá ser o maior parreiral do Paraná. Hoje são cultivados cerca de 12 hectares de uva, com uma produção anual de 350 toneladas.
A fazenda pertence à empresa Carneiro Ribeiro Comércio de Produtos Agrícolas Exportação e Importação Ltda, que atua no fornecimento de frutas de mesa no mercado nacional. A primeira remessa será em agosto, com 70 toneladas, para a Argentina e Uruguai.
Está previsto, ainda, o aumento da atual infra-estrutura, com a construção da casa de embalagem, túnel de resfriamento e câmara fria para armazenar e assegurar a qualidade exigida pelo mercado internacional e atender a demanda interna, inclusive nos períodos de entressafra. O potencial de produção deve chegar a 1.200 t/ano em 2004.
O diretor da empresa, Paulo Carneiro Ribeiro Filho, informou que a estratégia de expansão foi adotada tendo em vista o crescente interesse internacional por frutas brasileiras, agora impulsionado também por um câmbio favorável.
Hoje o Paraná tem cerca de 1700 hectares de parreirais, talvez seja o quarto produtor nacional do produto. Para Paulo Carneiro, a grande vantagem sobre outras regiões, como o Vale do São Francisco, por exemplo, é que a uva paranaense é mais graúda e está mais perto do Mercosul.
A colheita já começou na Bonsucesso, onde são plantadas as variedades Itália, Rubi e Benitaka. Duas variedades denominadas ‘‘série ouro’’, pela alta qualidade, também tem parreiral na fazenda; são a Benifugi e a Takassumi.
Após a colheita as uvas são selecionadas, embaladas, condicionadas em caixas de papelão e levadas a um túnel de resfriamento. ‘‘As uvas podem ser mantidas idas a zero grau centígrado até dois meses após a colheita, sem perder a qualidade’’, informa Paulo Carneiro.
Segundo ele, a fazenda Bonsucesso investiu em tecnologia de conservação da uva porque os períodos de produção de uma mesma variedade nos Estados Unidos e na Europa (Itália, França e Espanha) são opostos em relação aos períodos de safra do Brasil. Com isso, as uvas brasileiras podem suprir a entressafra do hemisfério norte e ampliar o mercado de exportação do Brasil.
Mas o projeto de exportação do empresário Paulo Carneiro almeja, no máximo 50% da produção total da Bonsucesso. O objetivo é ficar na liderança do mercado interno ‘‘pois é evidente que o brasileiro está exigindo cada vez mais qualidade e acreditamos ter todas as condições de oferecê-la’’, finaliza.
O empresário é filho do ex-secretário da Agricultura e diretor do IBC, Paulo Carneiro Ribeiro.

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