A reportagem da Folha de Londrina teve acesso, ontem, à Fazenda Cachoeira, nome fantasia da Empresa Agropecuária Lunardelli, localizada em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio). A propriedade de pouco mais de 1,4 mil alqueires foi apontada na terça-feira pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) com ocorrência de febre aftosa no seu rebanho que é de pouco mais de 2 mil cabeças.
Apesar da confirmação do Mapa, até meados da tarde de ontem não havia qualquer barreira sanitária no município, nem mesmo na entrada da fazenda. Essas medidas, segundo o ministério, deveriam ser tomadas pela Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento (Seab). No entanto, como a Seab não reconhece a doença na fazenda, os técnicos paranaenses estão aguardando um comunicado oficial do Mapa para tomar alguma medida.
Apesar de o ministério ter confirmado a presença da doença no Estado, até o início da noite de ontem não havia sido emitido qualquer comunicado oficial. Segundo a assessoria de imprensa do Mapa, em Brasília, os técnicos estariam redigindo, ontem no final da tarde, uma nota oficial, que seria repassada à Superintendência do Mapa no Paraná. Esse órgão é quem deveria comunicar a Seab, o que deve ocorrer somente hoje.
Sinais clínicos - A reportagem teve acesso ontem a parte do rebanho que está confinado na Fazenda Cachoeira. Cerca de 200 cabeças estão em uma área de aproximadamente 3 mil metros quadrados. Aparentemente, não foram detectados sinais visíveis de aftosa nos animais. Todos pareciam sadios, nenhum deles mancava ou babava em excesso. Esses bovinos, segundo o gerente da propriedade, André Carioba Filho, engordaram 2 arrobas em 60 dias e estão sendo alimentados com silagem três vezes ao dia.
Aliás, os sinais clínicos nos animais colocados sob suspeita pelo Mapa não são confirmados nem pelo próprio órgão. Segundo o superintendente federal do ministério no Paraná, Walmir Kowaleski de Souza, não foram confirmados nenhum sintoma clínico nos bovinos. Segundo ele, os 209 animais que estão confinados por determinação do Mapa ficaram em quarentena e não apresentaram nenhuma sintomatologia.
''A OIE (Organização Mundial de Saúde Animal) considera como conclusivo para aftosa a origem dos animais e os exames de sorologia e 22% das amostras apresentaram reação positiva'', informa Souza. No entanto, na origem, a Fazenda Bonanza - localizada em Eldorado (MS), onde já estão confirmados 28 focos da doença - por enquanto, não foi constatado nenhum caso de aftosa. No Brasil, somente os exames sorológicos não são conclusivos porque os animais são vacinados e, isso, pode gerar diagnósticos falso positivos ou falso negativos.
A comprovação deve ser feita com o exame Pro-bang, em que é analisado o líquido esofágico-faríngeo (LEF). Técnicos da Seab e do Mapa coletaram o LEF de 209 amostras, mas que ainda não foram processadas pelo Laboratório Nacional Agropecuário (Lanagro), de Belém (PA). Segundo Carioba Filho, todas as amostras coletadas por técnicos para os exames sorológicos são de animais vacinados anteriormente.

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