Curitiba - A Fazenda Cachoeira, localizada no município de São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio), primeira do Paraná a ser considerada foco de febre aftosa pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) foi liberada, ontem, para voltar às suas atividades normais de agropecuária. Os três exames de sorologia realizados nos 92 animais-sentinela colocados na fazenda em 1º de junho tiveram resultado negativo, o que significa que não há presença do vírus na propriedade.
Outras quatro fazendas, consideradas focos de febre aftosa pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), já haviam sido liberadas apenas para repovoamento: Cesumar e Pedra Preta em Maringá (Região Noroeste); Flor do Café, em Bela Vista do Paraíso (40 km a norte de Londrina); Santa Izabel, em Grandes Rios (110 km ao sul de Apucarana). As outras duas fazendas, São Paulo e Alto Alegre, em Loanda (102 km a oeste de Paranavaí), onde os animais-sentinela foram colocados dia 22 de junho, o resultado do terceiro exame sorológico só deve sair em 20 dias. Os dois testes realizados até agora deram resultado negativo.
Ao entregar, ontem, o comunicado de liberação da Fazenda Cachoeira ao prefeito do município, Jorge Takasumi, o secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Newton Pohl Ribas, fez questão de salientar que esses exames de sorologia são incontestáveis. Para garantir o uso de animais não-imunizados contra a febre aftosa, e checar se haveria ou não circulação do vírus nas sete propriedades, parte dos animais-sentinela vieram de Santa Catarina, estado que não vacina seus rebanhos há 10 anos e está livre de febre aftosa há uma década. ''É para ninguém alegar que são resultados falso positivo'', disse.
O Paraná depende do resultado desses e de outros exames que estão sendo realizados para restituir sua condição de Zona Livre de Aftosa perante a Organização Internacional de Saúde Animal (OIE). Em um raio de 10 quilômetros ao redor das sete propriedades, considerada como Área de Risco, foram coletadas 10.300 amostras de animais para exames de sorologia. Desses, 10.205 apresentaram resultados negativos. Mas o Governo do Estado aguarda, ainda, o resultado das outras 95 amostras.
Segundo o secretário, a necrópsia realizada em 21 animais sacrificados oriundos das sete fazendas também demonstrou inexistência do vírus. Os produtores, no entanto, ainda aguardam, o laudo oficial com o resultado das necrópsias, para entrar com ação na justiça contra o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) pedindo indenização pelos prejuízos financeiros e danos morais.
O prefeito Takasumi não sabe precisar as perdas para o município. Durante oito meses, segundo ele, toda cadeia produtiva, entre produção agrícola, produção de silagem e confinamento, da Fazenda Cachoeira, um dos maiores produtores de animais de confinamento do município, ficou parada. Em oito meses, calcula, a fazenda deixou de fazer ''dois giros'' de 3 a 4 mil cabeças de gado de confinamento cada vez, o que equivale a 50% dos negócios efetuados pelo município.

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