O Ministério da Fazenda não esconde mais o desconforto com os péssimos resultados da balança comercial. Boletim oficial divulgado ontem afirma que o desempenho da balança é a ‘‘nota dissonante’’ dos bons resultados da economia brasileira e mais um problema no momento atual de alta do dólar no mercado de câmbio.
‘‘É certo que os saldos da balança comercial no segundo semestre não trazem conforto no momento em que o câmbio vem se mostrando pressionado pela deterioração do cenário externo’’, afirma o Boletim de Acompanhamento Macroeconômico, preparado mensalmente pela Secretaria de Política Econômica do ministério.
O boletim prevê que a balança comercial deve apresentar resultados negativos no último trimestre do ano, o que vai piorar a situação do comércio exterior brasileiro, que até 22 de outubro apresentava saldo negativo de US$ 437 milhões no mês e um superávit de apenas de US$ 280 milhões no ano.
‘‘Quanto ao último trimestre do ano, o resultado comercial é tradicionalmente menos favorável, não sendo surpresa a ocorrência de saldos mensais negativos, ainda que a substituição de importações de bens finais possa arrefecer esse padrão sazonal’’, avalia o documento, que faz uma análise sobre os principais indicadores da economia.
De acordo com o boletim, as importações de produtos intermediários e o baixo preço de venda de produtos básicos exportados estão ‘‘limitando’’ a melhora do resultado comercial. O aumento do preço do petróleo importado também é destacado no boletim como um limitador da recuperação do saldo da balança comercial.