São Paulo - Um dos principais indicadores de atividade econômica brasileira, o faturamento real das vendas do comércio varejista cresceu 6,8% em julho em comparação com o mesmo mês no ano passado, segundo constatou o Índice Antecedente de Vendas (IAV), que foi divulgado ontem pelo Instituto para o Desenvolvimento de Vendas (IDV). O desempenho das vendas no mês passado superou as expectativas iniciais, que apontavam, de acordo com o IDV, para um crescimento real de 5,6% no faturamento do setor.
O IAV, é um indicador antecedente das vendas criado em 2007 para consumo interno do Instituto de Desenvolvimento de Vendas (IDV) e que passa, a partir dos dados de julho, a ser divulgado mensalmente para o público geral. Segundo o conselheiro e porta-voz do instituto, Fernando de Castro, a fonte de informações para o índice é um grupo de 35 empresas varejistas dos setores de alimentação, eletrodomésticos, móveis, utilidades domésticas, produtos de higiene e limpeza, cosméticos, material de construção, medicamentos, vestuário e calçados, que juntas faturam algo em torno de R$ 100 bilhões por ano. Entre elas, estão o Grupo Pão de Açúcar, Walmart, Magazine Luiza, Telha Norte e Leroy Merlin.
O IDV desconsidera a variação das vendas na margem, ou seja do mês em análise comparativamente ao mês imediatamente anterior. De acordo com Castro, o objetivo principal do instituto é o de apoiar o desenvolvimento do setor, assim, as informações de curtíssimo prazo, além de não contribuírem muito, são prejudicadas por fatores sazonais.
Para agosto, na comparação com o mesmo mês do ano passado, o IDV espera que seja atingido o pico de vendas no comércio varejista. A expectativa resultante da compilação das previsões das empresas é uma expansão de 7,1%. No entanto, apesar do leve aquecimento, a tendência de desaceleração se mantém para o terceiro trimestre. Para os meses de setembro e outubro, por exemplo, espera-se um aumento, na média mensal, de 5,2% sobre as vendas dos mesmos meses do ano anterior.
Castro ressalta, contundo, que não se trata de uma queda efetiva e sim de uma desaceleração da taxa de crescimento. ''Vamos registrar crescimento sobre o ano passado. Só não vamos crescer a taxas de 7% a 8% como crescemos em 2009 em relação a 2008'', disse o conselheiro. ''Estamos crescendo forte por três segundos trimestres consecutivos'', afirmou. Castro salientou ainda que mesmo no conceito mesmas lojas, ou seja na mesma área de vendas, o setor continua registrando expansão nos negócios.
Ainda de acordo com o levantamento da IDV, no acumulado do ano, mais de 76% dos associados ao instituto acreditam que o crescimento das vendas dos seus respectivos setores deve igualar ou superar em 5% sobre 2009. Os motivos estão ancorados no bom momento econômico vivenciado pelo País, no crescimento contínuo da oferta de crédito e na elevação da massa salarial, tanto pelo aumento dos rendimentos, quanto pela expansão do mercado de trabalho, impactando positivamente o consumo.
De acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas(IBGE), houve recorde de criação de vagas formais e a taxa de desemprego se situa no menor patamar da década, pouco acima de 7%. Pelos dados mais recentes do Caged, em julho a criação líquida de vagas com carteira assinada soma 181.196 e no acumulado de janeiro a julho, 1.655.116.

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