Faturamento industrial cresce 11,7%
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sexta-feira, 08 de fevereiro de 2002
Agência Estado 
Rio de Janeiro A indústria faturou no ano passado 11,7% a mais do que em 2000. Foi o maior crescimento das vendas reais desde o início da série de indicadores da Confederação Nacional das Indústrias (CNI), em 1992, superando o crescimento de 10,7% em 2000. O avanço não foi, contudo, uniforme ao longo do ano: o desempenho no segundo semestre ficou abaixo do registrado no primeiro. Em dezembro, houve o terceiro recuo seguido sobre o mês anterior (-2,48%) e a primeira taxa negativa, desde julho de 1999, na comparação com o mesmo período do ano anterior (-3,87%).
Nos primeiros seis meses do ano, o crescimento das vendas foi de 15,5%, taxa que desacelerou para 8,29% no acumulado do segundo semestre, também comparado ao ano passado.
Na avaliação do coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, o avanço nas vendas em 2001 foi influenciado pelo desempenho dos setores exportadores e agroindustrial, que têm preços ligados ao dólar. Com a desvalorização, a receita em reais destas indústrias sofreu impacto positivo e aumentou na comparação com 2000.
Diferente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que mede a produção industrial com base na quantidade de itens fabricados, o indicador de vendas da CNI leva em conta as vendas das empresas em reais, descontada a inflação. Anteontem, o IBGE divulgou que a produção industrial cresceu 1,5% no acumulado de 2001.
Em menor escala, a necessidade de desovar estoques acumulados, durante o ano, também influiu no aumento das vendas da indústria no ano passado. Os demais índices levantados também cresceram em 2001: pessoal empregado (1,1%), horas trabalhadas (1,9%) e salários líquidos reais (3,2%). O indicador de emprego registrou o segundo aumento consecutivo na série anual da CNI. O único indicador com queda no ano passado foi o uso da capacidade instalada, que passou de 80,7% em 2000 para 80,3% em 2001. Apesar do balanço positivo do ano passado, o resultado final não correspondeu às expectativas traçadas no início do ano para 2001, avalia Castelo Branco.
É positivo, mas decepcionante, frustrante, em termos de intensidade, afirmou o economista, exemplificando que projetava-se aumento da produção industrial de 6% para o ano passado e o crescimento, pelos números do IBGE, ficou em um quarto da expectativa.
Em dezembro, especificamente, além das vendas, caíram os demais índices medidos, sobre o ano anterior: horas trabalhadas (-2,73%), massa salarial (-1,3%) e emprego (-0,6%). Na comparação com o mês anterior, dois itens melhoraram, horas trabalhadas (1,14%) e pessoal empregado (0,25%), interrompendo a queda no emprego industrial por seis meses seguidos.


