Faturamento do setor de autopeças cresce 6%
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quinta-feira, 22 de maio de 2003
Carla Franco<br> Agência Estado 
São Paulo O aumento das vendas externas das montadoras elevou as encomendas e o faturamento do setor de autopeças nos primeiros quatro meses do ano. O faturamento dos fornecedores de componentes e sistemas automotivos cresceu 6%, em comparação com o mesmo período do ano passado.
De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), o resultado reflete o faturamento deflacionado em reais. No mesmo período, o consumo de energia elétrica aumentou 7,3%.
As empresas, entretanto, ficaram um pouco mais ociosas em abril. O indicador do Sindipeças mostra que a ociosidade nominal subiu de 35% para 36% da capacidade instalada no mês passado. Já o número de empregados passou para 170,6 mil trabalhadores, 300 pessoas a mais que em março. Os resultados são de pesquisa feita mensalmente pelo Sindipeças com 48 empresas associadas, que representam 33% do faturamento total do setor.
Para o presidente do Sindipeças, Paulo Butori, a situação do mercado interno de veículos é preocupante, com as vendas estagnadas nos últimos meses. Ele acredita que o aumento de 0,7% previsto no faturamento do setor este ano, para US$ 11 bilhões - ante US$ 10,920 bilhões em 2002 - terá como base a exportação de componentes e de veículos.
''A situação poderia ser muito melhor, principalmente se o mercado interno não estivesse passando por um momento tão delicado'', afirmou Butori. Em sua opinião, os juros elevados são o principal vilão da estagnação das vendas de veículos. No primeiro quadrimestre do ano, o licenciamento de carros novos recuou 7,2%, para 441 mil unidades.
A balança comercial do setor deverá apresentar superávit em 2003, pela primeira vez nos últimos anos. O Sindipeças prevê um saldo positivo de US$ 200 milhões, ante déficit de US$ 100 milhões no ano passado. O resultado deste ano será consequência de exportações de US$ 4,2 bilhões e importações de US$ 4 bilhões.
A rentabilidade dos fornecedores de componentes automotivos, no entanto, deverá continuar negativa, em torno de 1%. Apesar disso, o Sindipeças espera uma recuperação dos investimentos, que apresentaram queda de 93% em 2002, para US$ 260 milhões. Para 2003, a previsão é de recursos de US$ 500 milhões.


