As lojas de material de construção registraram aumento no faturamento de 4,4% em 2013 sobre o ano anterior, segundo balanço divulgado ontem pela Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco). O valor fechou os últimos 12 meses em R$ 57,42 bilhões, recorde do setor, ante R$ 55 bilhões de 2012.
Pelo estudo mensal desenvolvido pelo Instituto de Pesquisas da Universidade Anamaco, o desempenho em dezembro foi estável em relação a novembro, mas teve alta de 1,5% sobre dezembro de 2012. A pesquisa foi feita com 530 revendedores das cinco regiões brasileiras e o Nordeste e o Norte tiveram os melhores resultados, com 58% e 55% das lojas com crescimento nas vendas em dezembro, respectivamente. Na sequência, aparecem Sudeste (43%), Sul (42%) e Centro-Oeste (31%). Por segmento, caixas d’água e telhas de fibrocimento, iluminação e louças sanitárias cresceram 3% em dezembro. O restante ficou perto da estabilidade, segundo a Anamaco.
A presidente da Associação dos Comerciantes de Materiais de Construção de Londrina (Acomac), Sonia Roque Martins, afirma que os associados estimam um crescimento até maior na região, mas diz que não é feita pesquisa local. "Sabemos disso pelos valores financiados pela Caixa Econômica Federal na região."
Para o diretor da Leroy Merlin de Londrina, Vicente Gouveia, 2013 foi um ano de sucesso, com 30 mil consumidores em média por mês. "Vivemos uma expectativa muito positiva porque a Leroy entrou bem no mercado da cidade e fazemos uma pesquisa de satisfação, que mostrou que aqui há os melhores índices do País."
Por isso, Gouveia prevê alta no faturamento de 19% neste ano. "Historicamente, lojas que são recém-inauguradas têm um crescimento fora da curva da empresa", diz, sobre a unidade que foi aberta no fim de 2012.
Sonia acredita que ainda há muito a ser construído no País e espera aumento de faturamento de 8% neste ano. "Temos de reavaliar no fim do terceiro trimestre, mas, na minha loja, fechamos por uma semana em dezembro por férias coletivas e as vendas empataram com novembro, ou seja, vendeu mais na média diária."
No País, a expectativa dos lojistas é positiva, pelo efeito da Copa do Mundo, das eleições e de medidas governamentais. Dos entrevistados, 27% pretendem contratar novos funcionários já em janeiro. "Em função do atual momento em que estamos vivendo e de uma grande quantidade de obras ainda para a Copa do Mundo, devemos ter um desempenho 6% superior no primeiro semestre do ano e 8% superior no segundo", diz o presidente da Anamaco, Cláudio Conz. Segundo ele, nos dias de jogo do Brasil, antes e depois da partida, o movimento nas lojas é tradicionalmente melhor que nos dias normais. "As pessoas aproveitam este quase feriado para ir às compras", afirma.
Conz lembra ainda que as eleições fazem com que as pessoas antecipem as compras, devido às incertezas sobre o futuro. Por isso, estima em 7,2% o crescimento para 2014 sobre o ano passado. Já a presidente da Acomac em Londrina não acredita neste fenômeno. "A não ser que apareça um receio muito grande por alguma mudança na política econômica, o que não acredito."
Pelo lado do consumidor, o consumo parece depender apenas da renda. O pedreiro aposentado Francisco Botazzoili não vê qualquer risco. Ele pretende reformar a casa onde mora aos poucos e começou a fazer pesquisa de preços, na qual encontrou diferenças de até R$ 50 em portas e janelas. "O que tenho encontrado mais em conta é piso, cimento, que ficaram mais baratos de uns anos para cá, mas os acabamentos ainda estão muito caros."

Imagem ilustrativa da imagem Faturamento de materiais de construção cresce 4,4%
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