Faturamento de editoras cresceu 2,63% em 2010
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terça-feira, 16 de agosto de 2011
Glauber Gonçalves <br> <br> Agência Estado 
Rio - O crescimento das vendas de livros no Brasil gerou um faturamento de R$ 4,5 bilhões para as editoras no ano passado. O montante supera o resultado do ano passado em apenas 2,63%, porém o número de exemplares comercializados subiu 13,12%, atingindo 437,9 milhões em 2010, apontou pesquisa feita pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em parceria com a Câmara Brasileira do Livro (CBL).
O descompasso entre o crescimento do faturamento e das vendas é explicado pela redução do preço médio dos livros. Desde 2004, a queda real acumulada é de 34%. Na avaliação da presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), Sônia Jardim, a redução dos preços está ligada ao ganho de escala das editoras e da necessidade de oferecer títulos com valores adequados ao poder de compra da nova classe média. ''O ingresso do consumidor da classe C nesse mercado demanda preços mais baixos, então as empresas têm lançado livros de bolso, há competição de descontos na internet e cresce a venda porta a porta'', afirma Sônia, apesar de a somatória desses fatores resultar em margens mais apertadas para o setor.
O segmento que mais cresceu em vendas foi o de livros religiosos, excetuando-se as compras do governo. A explicação mais provável, segundo a professora Leda Paulani, da Fipe, também é o avanço do consumo da classe C. Em segundo lugar, vieram os livros didáticos, influenciados pela mudança ortográfica. Com as novas regras, os pais deixam de reaproveitar os livros usados pelos filhos mais velhos.
Junto com a pesquisa anual sobre o comportamento do setor editorial, que é feita de acordo com uma amostra de editoras selecionadas, a Fipe conduziu o Censo do Livro, com base em dados de 2009. O levantamento apontou que o mercado de obras gerais, que inclui livros de literatura, é maior do que se imaginava, respondendo a 31,35% do faturamento, 7,15 pontos porcentuais a mais do que o estimado anteriormente. O grosso das receitas, porém, vêm dos livros didáticos, profissionais e voltados ao ensino superior: 59%. Os religiosos respondem por uma fatia de quase 10%.


