O faturamento das indústrias paranaenses deve crescer mais de 4% neste ano. A estimativa inicial, que projetava uma estagnação do setor ou até uma queda, foi revertida graças ao resultado alcançado em outubro, quando as vendas aumentaram 10,91% em relação a setembro. ''O aumento nas vendas foi basicamente sustentado pelo mercado externo. O crescimento das exportações se deu em setores específicos e de forma pontual'', explica Rodrigo da Rocha Loures, presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep).
No acumulado do ano, as exportações da indústria paranaense já superam em 11% o resultado de 2005, o que deve se manter até o final do ano. As vendas realizadas dentro do Estado em outubro também cresceram no mesmo patamar: 11,35%. A pesquisa Indicadores Conjunturais, divulgada ontem, foi levantada pelo Departamento Econômico da Fiep. O desempenho de outubro deve-se ao aumento nas vendas em 12 dos 18 itens pesquisados. Os três gêneros de maior participação relativa na indústria paranaense apresentaram aumento: Produtos Alimentares (23,29%), Material de Transporte (13,29%) e Química (3,95%).
A expectativa agora é que o desempenho obtido neste ano - considerado baixo pelos industriais - possa ser mudado a partir de 2007. As projeções estão amparadas no anúncio do governo federal de que serão promovidos cortes da tributação, principalmente, em setores da produção. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse querer criar condições para que o País cresça, pelo menos, 5% no próximo ano através da retomada dos investimentos em obras de infra-estrutura. Inclusive, já houve sinalizações de desoneração para compras e custeio de máquinas e de produtos da construção civil e a Confederação Nacional das Indústrias (CNI) está elaborando um documento com sugestões a ser entregue ao governo.
Uma das propostas é a desoneração total sobre a compra de máquinas. Atualmente, a carga tributária sobre esses produtos pode ser a 40% do preço final. As outras sugestões são aceleração na recuperação de créditos do ICMS, isenção de IPI e desoneração da Cofins. ''A visão do governo é de promover o desenvolvimento sustentado na produção industrial. Se os investimentos forem estimulados, haverá uma produção adicional, o que contribuiu para uma arrecadação maior. Desta forma, o governo não irá perder receita'', salienta Rocha Loures. No entanto, ele afirma que o desafio da equipe governamental é reduzir os gastos públicos.
Os incentivos sobre bens e capital (para o reequipamento e melhoria da infra-estrutura de fábricas) e sobre a construção civil deverão contribuir para o aumento da oferta de empregos e uma redução dos preços dos itens utilizados na construção. ''O compromisso (do governo) é de não onerar outros setores'', afirma o presidente da Fiep. Além disso, na avaliação do empresário, outras medidas de ajustes precisão ser tomadas como a redução da carga tributária e da taxa básica de juros e um câmbio competitivo. ''Temos necessidade de uma nova visão de política econômico, de um novo modelo que estimule o investimento, ampliando a produção e com o aumento da demanda interna'', comenta.

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