A indústria gráfica brasileira vai fechar o ano de 2001 com uma queda significativa no faturamento em relação ao ano passado, informou ontem a Abigraf, entidade que representa o setor. A estimativa é que o faturamento em dólar cairá 20% ante 2000, de US$ 6,72 bilhões para US$ 5,37 bilhões. O setor retornará, então, ao mesmo patamar de dois anos atrás, quando faturou US$ 5,3 bilhões (o crescimento de 99 para 2000 foi de 27%).
De acordo com Mario César de Camargo, que deve assumir a presidência da Abigraf em dezembro, os fatores que estão causando a queda do nível de atividade do setor são o racionamento de energia elétrica, os juros altos, a crise argentina e a valorização do dólar frente ao real. ''O ano está sendo desastroso para o setor. O dólar disparou e desmontou qualquer expectativa de crescimento do faturamento em moeda estrangeira'', disse. De acordo com a Abigraf, no último trimestre o setor gráfico também sentirá os impactos da guerra entre EUA e Afeganistão.
''O racionamento afetou a indústria gráfica, porque caíram muito as vendas de vários setores, como eletrodomésticos e eletroeletrônicos'', disse. Camargo explica que a indústria gráfica não tem, na maioria dos casos, um produto a oferecer. ''Nós dependemos dos outros segmentos, porque fazemos manuais de instrução, propaganda, impressão em embalagens''. De acordo com ele, os segmentos da indústria gráfica que mais tiveram retração este ano foram o promocional, de revistas e embalagens.
Camargo contou que as indústrias gráficas estão bastante endividadas em dólar. ''O setor investiu muito nos últimos anos, sempre em dólar porque as máquinas são todas importadas. O ano passado foi muito bom, contrariando as expectativas, e a turma foi para o exterior comprar equipamento'', afirmou. Segundo ele, de 1990 a 2000 as gráficas investiram US$ 6 bilhões. O ganho de escala e produtividade, analisou, possibilitou o crescimento da oferta de emprego de 182 mil empregados em 90 para 197 mil neste ano.
A Abigraf realiza, hoje e amanhã, em Florianópolis (SC), a 35ª Assembléia Geral em que elegerá a nova diretoria da entidade, substituindo Max Schrappe. Mario César de Camargo encabeça a chapa única.

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