Faturamento da New Holland cresce 15%
Oswaldo Petrin
A holding New Holland fecha o ano com faturamento 15% maior do que o do ano passado (R$ 536 milhões), ou cerca de US$ 310 milhões, e ocupando 25% do mercado de tratores, onde ingressou há apenas dois anos. Em colheitadeiras continua disparadamente na frente. A empresa investiu US$ 15 milhões em pesquisa e tecnologia, treinamento de mão-de-obra, expansão, etc e US$ 16 milhões no banco para financiar sua clientela.
Mas o que o superintendente da New Holland para a América do Sul, Valentino Rizzioli, considera mais importante é o retorno dos clientes com relação aos tratores. Ele disse que a avaliação dos tratores tem sido altamente positiva e se expressa em cartas que os agricultores estão mandando diretamente para a direção da empresa.
Valentino Rizzioli e o diretor comercial da empresa, Francesco Pallaro, estiveram ontem em Londrina na abertura do open house da revenda autorizada, a New Agro, juntamente com o gerente de marketing Fraçois Jourdan. Em entrevista a este jornal eles disseram que a marca não lançou mais uma opção de tratores no mercado, mas são tratores adequados às condições brasilerias, levando em conta topografia, tipo de solo, e outras variáveis.
Entre outras diferenças em relação aos concorrentes, Rizzioli citou o fator pulverização. Os tratores antigos têm a tomada de força ligada à rotação do motor. Nos nossos tratores - disse - a tomada de força está ligada à velocidade das rodas. Se o trator está bem devagar ou parado, a distribuição de defensivo está bem baixa ou, então, desligada. Ou seja, não se aplica o produto num único local. No sistema anterior, quando o operador está aplicando defensivos, mesmo com o trator parado, o pulverizador continua espalhando veneno num único local, bastando que o motor esteja em marcha lenta. Com isso, há desperdício, poluição ambiental e aumento do custo de produção. Evitamos isso com uma mudança na tomada de força. Se a roda pára, o pulverizador para automaticamente; não se aplica veneno num só local sobre poucas plantas.
Rizzioli observou que historicamente a agricultura brasileira foi muito prejudicada com a introdução de máquinas feitas para outros países. Todos os países são diferentes. É preciso respeitar essas características de cada um. Dentro de um país há várias condições completamente diferentes. Como produzir máquinas uniformes. O processo de adaptação demanda pesquisa e investimento. E é demorado, exaustivamente testado, segundo Rizzioli.
O dirigente da New Holland informou ontem em Londrina que a New Holland encaminou ao governo um projeto para adequação do parque de máquinas para reduzir as perdas na colheita. A proposta é para investimentos em parceria para lançamento de máquinas ideais. Ele não quis entrar em detalhe mas disse que a New Holland tem tecnologia para reduzir as perdas entr 1% e 2%. As perdas na colheita hoje variam entre 10% e 12%, ou 6 milhões de toneladas por ano.
Crescimento Como os agricultores, os representantes da indústria também se queixam da ausência de um planejamento mínimo para a agricultura. Mesmo assim, acreditam no potencial de crescimento. Mas, Francesco Pallaro, o diretor comercial do Brasil, e o diretor de marketing, François Jourdan, fazem uma ressalva: a New Holland está no Brasil fazendo investimentos de longo prazo; não está visando potencial de crescimento nem nichos de mercado .
Desde que assumiu a New Holland, em 1992, a Fiat investiu no Brasil mais de US$ 8 milhões, em valores não atualizados. Francesco Pallaro considera importante o programa de financiamento do Banco New Holland para recuperação, retífica, reposição de peças enfim serviços de oficina. A empresa ainda não tem dados sobre o atendimento, já que o programa é novo, mas o crédito para reparos beneficia médios e pequenos produtores. A taxa anual é de 11,96% ao ano.
Uma filosofia da empresa que Riziolli fez questão de frisar: não se deve querer vender um trator para o cliente interessado. É preciso analisar as condições dele, mensurar o retorno que a máquina oferece para aquele tipo de propriedade e concluir se realmente é bom para ele; se é aquele tipo de máquina que ele está precisando.
Com uma frota de 600 mil tratores e de 65 mil colheitadeiras em operação, o Brasil tem a maior relação de área cultivada por máquina: 104 ha por trator e 833,7 ha colhidos por colheitadeiras. O país também é detentor, segundo a New Holland de uma das frotas mais antigas do mundo 25% dos tratores têm entre 15 e 30 anos de uso - o normal seria 10 anos. E 17% das colheitadeiras têm entre 15 e 25 anos.
O superintendente Rizzioli, logo observa: imagine o desenvolvimento tecnológico que aconteceu neste período. Quanta coisa nova, quantas descobertas. Quem não renova a frota deve estar perdendo muita coisa. No mínimo está gastando mais em diesel e manutenção.
LEITURA DINÂMICA
- Diretores da New Holland disseram ontem em Londrina que esperam ocupar 25% do mercado de tratores,
- Empresa tem projeto para renovar parque de máquinas e tratores e propõe parceria com o governo,
- Perdas na colheita podem cair de 15% para menos de 2% com melhorias no equipamento,
- Faturamento da holding New Holland cresce 15% este ano, segundo estimativas preliminares,
- Empresa investiu R$ 12 milhões em pesquisa, treinamento de mão-de-obra e informática,
- Eventual problema técnico encontrado em uma revenda pode ser resolvido em minutos, através de linha direta com todas as fábricas,
- Sistema on line também serve para atender necessidades de peças,
- Ponto forte do trator é evitar perdas nas aplicações de defensivos, além da economia de combustível,
- Convênio com Banco do Brasil financia consertos e reposição de peças via Finame.





