Faturamento da indústria caiu 3,6% desde junho
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quarta-feira, 07 de dezembro de 2005
Renata Veríssimo<br>Agência Estado 
Brasília - O fraco desempenho das vendas industriais em outubro frustrou a expectativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) quanto a um crescimento mais robusto da atividade econômica no último trimestre do ano. ''A gente espera que haja uma recuperação no quarto trimestre porque a base de comparação (terceiro trimestre) é muito fraca. Mas não será um crescimento forte'', afirmou o economista da entidade, Paulo Mol, ao divulgar ontem os indicadores industriais de outubro.
A má notícia veio principalmente do faturamento das indústrias, indicado pelas vendas reais, que teve queda em outubro pelo quarto mês consecutivo. Na comparação com setembro, a queda foi de 0,91%, o que eleva para 3,6% a retração acumulada desde junho. A CNI destaca que as vendas reais em outubro, excluindo os fatores sazonais, foram as mais baixas de todo o ano e estão 2% abaixo das vendas médias do terceiro trimestre.
Com esse desempenho fraco, fica cada vez mais estreita a margem de crescimento de 2005, na comparação com 2004. No primeiro trimestre do ano, a expansão das vendas industriais era superior a 6% na comparação com o mesmo período de 2004. No fechamento do primeiro semestre, o ritmo de crescimento caiu para 4,8% e, em outubro, o acumulado reduziu para 2,28% em relação aos dez primeiros meses de 2004.
O chefe da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, afirmou que os dados de outubro consolidam o quadro de esfriamento da atividade industrial na segunda metade do ano. ''A única exceção é a massa real de salários, que continua ascendente porque recebe os benefícios da manutenção da inflação em um patamar reduzido'', ressaltou.
Ele disse que a queda no faturamento das empresas é reflexo da política monetária arrochada - iniciada em setembro de 2004 e só afrouxada este ano - e da grande valorização do real frente ao dólar. ''Os juros altos desaceleram o ritmo da demanda e dos investimentos e o câmbio afeta o valor em real das exportações'', explicou.
Apesar da queda nas vendas, os indicadores industriais de outubro mostram que há uma tímida recuperação das variáveis atreladas à produção, como o número de horas trabalhadas, por exemplo, que aumentaram 0,85% sobre setembro. Os dados de outubro mostram ainda que a capacidade instalada está em 81,1%, já descontados os efeitos sazonais. O número de empregos na indústria subiu 1,80% em outubro com relação ao mesmo mês de 2004, mas se manteve estável perante setembro.


