Carmem Murara
De Curitiba
Uma pesquisa divulgada ontem pela empresa de consultoria Arthur Andersen, em Curitiba, mostrou que as empresas brasileiras venderam mais produtos e portanto tiveram maior faturamento no ano passado, mas em compensação amargaram uma redução nos lucros. O resultado é atribuído à desvalorização cambial e à estagnação da economia no primeiro semestre. Das empresas pesquisadas pelo Instituto, 43% tiveram um lucro menor ao longo de 99, mesmo assim elas se dizem otimistas a enfrentar o ano 2000 e apostam num crescimento econômico de seus próprios negócios.
A maioria absoluta (92%) disse que acredita num aumento médio de 3% do Produto Interno Bruto nacional e 64% dos entrevistados afirmaram que esperam um aumento do volume de investimentos internacionais nas áreas produtivas. A expectativa de aumento dos níveis de emprego também foi citada por 72% dos entrevistados.
A pesquisa da Arthur Andersen foi feita com as 500 maiores empresas do País, cujo potencial é calculado com base no volume de faturamento. Destas, 96 responderam aos questionários que buscaram informações sobre o cenário econômico do País, comércio exterior e sobre o desempenho das empresas.
As respostas positivas marcaram todo o trabalho, informou ontem o diretor-presidente da Arthur Andersen em Curitiba, José Écio Pereira da Costa. ‘‘O otimismo se deve em parte ao clima de estabilidade e não se espera nenhum movimento social de mudança ou de greve, por exemplo’’, afirmou Pereira.
As empresas chegaram a informar que vão ter aumento de faturamento e lucro. A expectativa de aumento nos lucros e da produtividade está presente em 82% das empresas. Outras 89% disseram que vão faturar mais este ano.
Os empresários foram perguntados também sobre os problemas que o País enfrenta. Eles disseram que a carga tributária excessiva, com 84% das respostas, e o déficit público, com 80%, são os principais entraves do País. A corrupção é citada por 46% e as falhas na educação por 50%. Os empresários não se mostraram muito contentes com a privatização, pois 50% consideraram apenas satisfatório o programa de venda das estatais pelo governo federal.

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