Faturamento alto em dia de promoções
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sábado, 06 de janeiro de 2007
Francismar Lemes<br> Reportagem Local 
Em plena temporada de promoções, afirmar que dinheiro não traz felicidade é no mínimo menosprezar o poder que o desejo de realizar um sonho de consumo exerce nas pessoas nesta época, quando algumas redes de lojas de móveis e eletrodomésticos anunciam descontos de até 70%.
Para esses consumidores, que conseguiram resistir às compras de final de ano e tiveram paciência de dormir na porta das lojas - se o dinheiro não traz felicidade pelo menos manda buscar.
Ontem, durante a 14 edição da ''Liquidação Fantástica'' do Magazine Luiza, milhares de consumidores em todo o Brasil, estimados em 3 milhões de pessoas pela empresa, buscaram nas lojas da rede, levando para casa e do jeito que conseguiram, sonhos de consumo, representados por mais de 1,4 milhão itens à venda.
A pé, carregando nas costas, contando com uma forcinha dos amigos, de carona, caminhão e até carroça, os consumidores que atenderam ao convite das promoções, ajudaram a empurrar as vendas da rede que esperava comercializar em torno de R$ 50 milhões, o que representa 10 dias de faturamento normal nas 352 lojas do Magazine Luiza em todo o País.
A chuva bem que tentou dissipar o sonho de consumo dos que, desde anteontem no início da tarde em Londrina, já aguardavam a abertura das lojas, às 6 horas de ontem. As filas também se formaram em frente aos concorrentes, que também promoveram liquidações e saldões.
Depois de passar a noite na fila, o estudante Alexandre Wendel, 32 anos, ainda tinha disposição para levar nas costas até o carro, a imensa lista de compras, que incluiu aparelhos de DVD, karaokê, microondas, circulador de ar, prancha de cabelo, batedeira, brinquedos, sapateira, jogo de panelas e um faqueiro. ''Gastei R$ 940,00 e acredito que economizei mais de R$ 800,00'', afirmou Wendel, que para realizar tantos sonhos de consumo, chegou na loja por volta das 22h45 de quinta-feira.
Se para alguns, o sonho de consumo praticamente não coube numa lista, outros consumidores foram mais modestos e, nem por isso, deixaram de querer fazer economia. Foi o caso do operador de máquinas Alexandre Antunes de Jesus, 30 anos, a esposa, a auxiliar de serviços gerais Regina Célia Santana de Jesus, e o filho Erick, de apenas dois anos, que mesmo sem entender as regras do consumismo, não perdeu o dia de promoções. ''Pelo desconto que as lojas estão fazendo compensa enfrentar a chuva'', comentou Antunes.
Os que não tiveram tanta disposição assim e foram às lojas algumas horas depois do início das liquidações, como aconteceu com a dona-de-casa Maria Geni Curradini, 53 anos, o jeito é esperar uma nova temporada. ''Eu vim buscar um aparelho de DVD, mas fui informada que já acabou. Agora é aguardar o ano que vem e se preparar para dormir na fila'', resignou-se.


