Fatos novos no agronegócio
Mercado é o que não falta para o agronegócio. O ministro Pratini de Moraes é elogiado em Londrina - na abertura da Exposição, ontem - pela agressividade que conseguiu imprimir à política de exportação. Ao mesmo tempo, é alertado para potencializar o mercado interno, um colosso.
Os números da receita do agronegócio, amplamente divulgados no início do ano, são recordes. E o Paraná na dianteira de vários itens. O Estado sai de 12 milhões de toneladas em 1991, para 24 milhões de toneladas em 2001/2002. Em 10 anos, 100% de crescimento. Ou, se preferir, sai de 16 milhões de t em 1995 para as 24 milhões de t nesta safra - como observa, com natural ufanismo, Deonilson Roldo, secretário de Comunicação Social do governo do Paraná.
Pratini prova da cachaça paranaense com lideranças locais, no estande do Ministério/Embrapa, e garante: estou providenciando junto a Organização Mundial do Comércio (OMC) para que só o Brasil comercialize a bebida com o nome cachaça. O País não vai dormir de toca.
O Brasil mostra competência na produção e começa a ousar na exportação. É verdade que esses dados são extraídos do Brasil mais rico. Não são do Brasil da baixa produtividade. A agricultura está dividida em dois Brasís, é claro.
Resultado da irreverência brasileira na Organização Mundial do Comércio, está havendo outro fato que não pode ser esquecido: o País está atraindo investimentos estrangeiros e o alvo é o agronegócio.
Só não se sabe se é bom para o agricultor brasileiro o fenômeno que ocorre em consequência de tudo isso. Que fenômeno é este? É que os investimentos estrangeiros - que migram para o Brasil com o risco da redução de subsídios em em países do Primeiro Mundo - podem trazer mais competitividade interna e mais agressividade no mercado. Bom para a balança comercial do País, mas ameaçador para a balança individual do agricultor nacional. A produção brasileira atrai investimentos de grandes empresas e agricultores por ser competitiva e é competitiva porque é mais barata.
Mas esta premissa não é totalmente verdadeira. Nem duradoura.
Outro fenômeno: o Brasil como corredor de exportação. Muito mais do que o mercado interno, o atrativo para os grandes setores do agronegócio está ligado à perspectiva de exportar a partir do Brasil, diz Paulo Favaret Filho, gerente de estudos da agroindústria do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social em entrevista esta semana à Agência Estado.
Na esteira de tudo o que está acontecendo até o preço da terra - tremendamente desvalroizada nos últimos 10 anos - pode reagir. Técnico da Agroconsult, diz que o preço da terra ainda é baixo no Brasil, mas tende a subir. Enquanto falta espaço e condições ambientais para a atividade agrícola nos países desenvolvidos, percebe-se claramente aumento da procura por terras no Brasil, da parte de estrangeiros. Vamos ter os sem-terra capiralizados, prontos para comprar.
Nesse ritmo, a edição deste ano do Agrishow (no final de Abril, em Ribeirão Preto/SP), vai explodir em negócios. Aliás, o Paraná tem representação expressiva no evento, com quase 10% do total de expositores, segundo a Mecânica de Comunicação, que vem divulgar o evento em Londrina no próximo dia 9.





