Estudo aponta que o fator previdenciário atinge mais duramente os negros e pardos, reduzindo seu peso no total de beneficiários da Previdência no País. Segundo um dos organizadores do relatório, o economista Marcelo Paixão, por terem empregos mais precários e viverem menos, os afrodescendentes demoram mais a se aposentar e usufruem menos dos benefícios, sendo pouco mais de 1/3 dos aposentados e pensionistas com 80 anos ou mais.

Paixão disse que o fator é uma política que, mesmo não sendo feita contra os negros, prejudica esse grupo por não considerar as diferenças entre os grupos raciais no País. "O problema é que os grupos de negros e pardos e brancos têm esperanças de vida, por faixa etária, muito desiguais", disse o professor, coordenador do Laeser (Laboratório de Análises Econômicas, Históricas, Sociais e Estatísticas das Relações Raciais) da UFRJ.

Curiosamente, porém, para Paixão, a Previdência também beneficiou a população negra e parda, com duas medidas: a criação do segurado especial (aposentadoria rural) e a instituição do salário mínimo nacional. "Vinte por cento dos negros estão empregados em atividades agrícolas, contra apenas 10% dos brancos", explicou ele. Além de mais beneficiados pela aposentadoria rural, negros e pardos também formam a maior parte da população atingida pela nacionalização do salário mínimo, por serem mais pobres.

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