Fator Lula faz dólar cair e bolsa subir
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sexta-feira, 04 de março de 2016
Eulina Oliveira<br>Folhapress 
São Paulo - Pelo segundo dia seguido, o mercado financeiro brasileiro se descola totalmente do exterior e se fixa no quadro político interno, reagindo ontem à notícia de que a Polícia Federal realizou ontem pela manhã a 24ª fase da Operação Lava Jato no prédio do ex-presidente Lula e de seu filho Fábio Luis. O Ibovespa subiu cerca de 3% - com destaque para a valorização das ações das estatais Petrobras e Banco do Brasil - e o dólar recuou mais de 2%. Os juros futuros operaram em baixa, assim como o CDS brasileiro, uma espécie de seguro contra o calote da dívida do País.
O real apresentava a maior valorização ante o dólar entre as moedas de países emergentes. Após ter perdido mais de 3% mais cedo, o dólar à vista recuava 2,24%, a R$ 3,7209, cedeu 1,12%, aos R$ 3,7675, na menor cotação desde 9 de dezembro do ano passado. E o dólar comercial perdia 1,97%, a R$ 3,7280. Os juros futuros também caíam, influenciados pela baixa do dólar: o contrato de DI para janeiro de 2017 passava de 14,040% na véspera para 14,035%; o contrato de DI para janeiro de 2021 recuava de 15,070% para 14,680%. Após recuar 3,42% na última quinta-feira, o CDS (credit default swap) brasileiro - outro indicador da percepção de risco da economia - caía 4,50%, para 413,255 pontos.
O principal índice da Bolsa paulista, que chegou a ganhar 6% e bater nos 50 mil pontos mais cedo, avançava 3,02%, aos 48.620,94 pontos. As ações preferenciais da Petrobras subiam 9,13%, a R$ 7,17, e as ordinárias ganhavam 7,46%, a R$ 9,79. As ações ordinárias do Banco do Brasil tinham alta de 10,29%, a R$ 18,32. Também apresentam alta expressiva os papéis do setor financeiro, Vale e siderúrgicas. A exceção eram os papéis de exportadoras, que recuavam com a queda do dólar.
LAVA JATO
A fase da Operação Lava Jato deflagrada ontem, batizada de Aletheia, apura se empreiteiras e o pecuarista José Carlos Bumlai favoreceram Lula por meio do sítio em Atibaia e o tríplex no Guarujá. O ex-presidente nega as acusações. "A notícia do dia que os mercados estão repercutindo é, sem dúvida, a condução coercitiva de membros da família Lula da Silva. De ontem (quinta) para hoje (ontem) tudo ganhou enorme velocidade e a situação fica quase insustentável. Os mercados reagem a tudo isso e certamente vamos ter mais um dia de descolamento dos mercados externos", avaliou Alvaro Bandeira, economista-chefe da corretora Modalmais, em relatório.


