Há mais de um ano, a Federação dos Bancários (Fetec) do Paraná entregou à Delegacia Regional do Trabalho do Paraná (DRT) uma denúncia de que o Banco HSBC utilizaria listas para discriminar, na contratação, profissionais que já entraram na Justiça do Trabalho contra outras instituições. A denúncia acabou não sendo investigada em meio a uma crise na DRT, que chegou a ter seu delegado regional na ocasião, Celso Costa, afastado e preso por irregularidades.
O caso chegou à Fetec por meio de uma carta anônima de uma funcionária, acompanhada de uma correspondência do escritório de advocacia Hapner & Kroetz, datada de 2 de janeiro de 2001, que orientava o banco a obter ''informações a respeito da vida profissional de qualquer candidato a um posto de trabalho no HSCB''.
Segundo o presidente da Fetec, José Adilson Stuzata, o caso não foi divulgado antes para não atrapalhar as investigações, mas como mais de um ano se passou, sem que houvesse qualquer resultado, a federação decidiu torná-lo público. ''Quem sabe assim apareçam trabalhadores que tenham sido vítimas dessa discriminação. Que tenham ido bem no processo de seleção para uma vaga e mesmo assim tenham sido reprovados'', explica.
Na carta enviada à Fetec, a funcionária conta que presenciou por diversas vezes a admissão de pessoas menos habilitadas ao invés de outras mais experientes, mas que teriam procurado seus direitos junto à Justiça por terem se sentido lesadas em seus empregos anteriores. A funcionária cita o nome de um chefe, que coordenaria a discriminação.
Já na correspondência dos advogados Carlos Hapner e Tarcisio Kroetz, eles informam que ''basta a solicitação de certidões nas praças onde o candidato tenha previamente trabalhado, para se saber se o mesmo já movimentou com frequência (ou não) processos trabalhistas contra seus anteriores empregadores''. E complementam que essas certidões por si só não podem, nem devem conduzir à decisão de veto ao ingresso na carreira do HSBC, mas devem ser incluídas nos itens a serem avaliados com mais profundidade pelo departamento jurídico da instituição.
A Fetec encaminhou, na semana passada, um pedido de informações para a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) do Paraná sobre o procedimento adotado pelo escritório de advocacia. ''Queremos saber se a OAB considera ético e legal esse procedimento'', diz Stuzatta.
Procurado pela Folha, o banco respondeu com o seguinte e-mail: ''O HSBC, por meio de sua assessoria de imprensa, esclarece que não pratica qualquer tipo de discriminação no processo de recrutamento de funcionários. O HSBC é uma empresa de oportunidades iguais. O HSBC não comenta na imprensa denúncias sobre irregularidades na seleção de candidatos a postos de trabalho na instituição''.
A Folha também procurou fazer contato com os advogados Carlos Hapner e Tarcisio Kroetz, mas não obteve retorno.

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