Fator China faz dólar subir mais de 2%
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terça-feira, 05 de janeiro de 2016
Folhapress 
São Paulo - Na primeira sessão de 2016, o dólar disparou mais de 2% sobre o real ontem, acompanhando a valorização da moeda americana em relação a outras divisas emergentes no exterior. O movimento refletiu a preocupação de investidores em relação ao crescimento da China, após a atividade industrial da segunda maior economia do mundo ter registrado em dezembro retração pelo décimo mês consecutivo.
O dólar à vista, referência no mercado financeiro, fechou com valorização de 2,34%, para R$ 4,053 na venda. É o maior valor desde 29 de setembro de 2015, quando valia R$ 4,097 na venda. Já o dólar comercial, utilizado em transações de comércio exterior, avançou 2,12%, para R$ 4,034 na venda - também é a maior cotação desde 29 de setembro do ano passado, quando valia R$ 4,059. As cotações tanto do dólar à vista quanto do dólar comercial atingiram máximas na casa de R$ 4,07 ontem. O dólar subiu em relação a 21 das 24 principais moedas emergentes do mundo - o real foi a que mais se desvalorizou contra a divisa dos Estados Unidos.
A moeda americana também ganhou força contra nove das dez divisas globais mais importantes, entre elas a libra esterlina, o euro e o franco suíço. O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) do Caixin/Markit caiu para 48,2 em dezembro, abaixo dos 48,6 de novembro e do centro das apostas de analistas, que era de 48,9. Essa foi a leitura mais baixa desde setembro e bem abaixo do nível de 50 pontos que separa contração de expansão. O setor industrial chinês luta contra a fraca demanda no País, indicando que a segunda maior economia do mundo vai iniciar 2016 mais fraca do que o esperado. A pesquisa concentra-se em pequenas e médias empresas privadas.
China
As negociações nas Bolsas da China, Xangai e Shenzhen foram suspensas ontem após registrarem quedas de 7%. A baixa do índice CSI300, que aglutina as 300 principais empresas cotadas nas duas Bolsas, forçou a suspensão das cotações, na primeira vez em que foi aplicada a nova norma das autoridades de regulamentação. Em um primeiro momento, as negociações foram suspensas por 15 minutos, mas a iniciativa não conseguiu evitar a queda. O objetivo da suspensão é conter a alta volatilidade e evitar a repetição do "crack" da Bolsa do ano passado.
A queda de ontem coincidiu com o anúncio da contração da atividade manufatureira em dezembro na China, pelo quinto mês consecutivo. No momento da suspensão, o índice de Xangai perdia 6,85%, (242,52 pontos), a 3.296,66 unidades. Em Shenzhen, a queda era de 8,19%, a 2.119,90 pontos. A norma prevê que se o índice CSI300, que inclui grandes bancos e empresas de petróleo estatais, registrar alta ou baixa de 7%, as negociações devem ser suspensas pelo restante da sessão.


