Fátima Cardoso
Estudo que acaba de ser divulgado pela consultoria A.T. Kearney mostra que as empresas que priorizaram a sustentabilidade estrategicamente tiveram melhor desempenho financeiro após crise econômica do que a média das companhias do mesmo setor. A consultoria analisou 99 empresas que constam dos índices que acompanham as ações de empresas consideradas sustentáveis, o Dow Jones Sustainability Index e o Goldman Sachs SUSTAIN. O resultado dessas empresas foi então comparado com os índices médios do mercado e por setor. As empresas ''sustentáveis'' tiveram um diferencial de performance de 10% no período de setembro a novembro do ano passado e de 15% em 6 meses (de maio a novembro).
Em 16 dos 18 setores analisados, as companhias presentes nos índices de sustentabilidade superaram o resultado da média setorial. Segundo o relatório, os dados confirmam que o investimento em sustentabilidade compensa, pois os investidores ''tendem a premiar empresas que verdadeiramente têm foco em sustentabilidade''. Isso porque elas geralmente apresentam boa governança corporativa, fazem cuidadosa análise de riscos e dão ênfase a investimentos e planos que priorizam a saúde financeira no longo prazo e não apenas ganhos de curto prazo.
O relatório ressalta, porém, a diferença de companhias comprometidas com a sustentabilidade e aquelas que embarcaram na onda mais recentemente com foco em estratégias de marketing. Para o segundo grupo, a consultoria recomenda uma revisão dos planejamentos. ''Não vale a pena gastar com sustentabilidade só por imagem'', aponta o estudo. Em momentos como esse, dizem os consultores, é melhor redirecionar os investimentos para áreas mais rentáveis. Mas para as empresas que estão no primeiro grupo, a consultoria recomenda continuar investindo e até mesmo aumentar o volume de recursos, para se preparar para um melhor posicionamento futuro. A íntegra do relatório ''Green Winners: The Performance of Sustainability-Focused Companies in the Financial Crisis'' está em http://atkearney.com/shared_res/pdf/Green_Winners.pdf.
Para ficar de olho
O padrão dos padrões - A ISEAL Alliance, associação de organizações que fazem certificação social e ambiental de produtos, sistemas e serviços, começa no próximo dia 23 a discutir a revisão do seu código de práticas para a definição de certificações. Esse código, lançado em 2004, estabelece critérios para se estabelecer um novo selo socioambiental de forma que esta certificação tenha credibilidade. Com a profusão de certificação dos últimos anos, as ONGs e empresas envolvidas nesses processos definiram uma série de recomendações para garantir a participação de todos os grupos de interesses nessas regulamentações privadas que, em muitas vezes, acabam transformando os mercados de alguns produtos.
Para saber mais
Estímulos à economia verde - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, dará a partida esta semana no seu programa de estímulo econômico. Uma boa parte dos recursos será investida em projetos de energia limpa e nos setores que proporcionam os chamados ''Green Jobs'' (ou empregos verdes). Há, porém, muitas dúvidas sobre as perspectivas de se usar políticas públicas para estimular a recuperação econômica e ao mesmo tempo a sustentabilidade. Uma boa análise sobre o tema foi feita conjuntamente pelo World Resources Institute e o Peterson Institute for International Economics, ambos americanos. Veja em ' www.wri.org/stories/2009/02/stimulus-policies-can-serve-economic-and-environmental-goals.
(*) Fátima C. Cardoso é jornalista, com Pós Graduação em Ciência Ambiental, e especialista em assuntos ligados à sustentabilidade e responsabilidade socioambiental.





