São Paulo - A Associação Brasileira da Infra-Estrutura e Indústrias de Base (Abdib) advertiu ontem em nota que a crise política pode ceifar o futuro crescimento econômico do Brasil porque retarda a aprovação da agenda de projetos para o setor no Congresso, que é fundamental na atração de investidores nacionais e externos. ''Essa agenda, se interrompida ou retardada, tem poder real de ceifar ou reduzir o crescimento econômico futuro, pois afugenta ou dificulta investimentos'', informou a Abdib.
''Os indicadores macroeconômicos continuam a mostrar que a economia tem passado à margem das notícias que emergem das comissões parlamentares de inquérito (CPIs) que funcionam no Congresso, que buscam esclarecer denúncias de supostos desvios de conduta de parlamentares, partidos políticos e do governo federal'', diz.
''Mesmo assim, as tempestades que assolam Brasília, de tempos em tempos, deixam rastros variados. Se a macroeconomia está protegida de forma razoável contra os espirros da crise política, a microeconomia, ainda muito dependente de ações administrativas e de vontade política'', acrescenta o comunicado da associação, presidida pelo presidente Paulo Godoy.
Para a entidade, o setor de infra-estrutura, plataforma de desenvolvimento em qualquer economia mundial, precisa voltar a ser alvo da pontaria de parlamentares e autoridades governamentais ainda este ano.
A agenda visa, segundo as Abdib, consolidar o arcabouço regulatório e melhorar o ambiente de negócios no Brasil para a iniciativa privada, buscando atrair desta esfera da sociedade os recursos para obras de energia, saneamento e transporte, entre outros, que o poder público não tem em quantidade suficiente.
No texto, a associação afirma que há propostas que precisam avançar com urgência, mas correm o risco de ter atrasos ou interrupções por causa da atual fase política.
''Dos ministérios, o setor privado aguarda há meses a regulamentação do fundo garantidor das Parcerias-Público Privadas (PPPs), fundamental para explicitar o acesso às garantias em possível inadimplência da administração pública no decorrer dos contratos. Programas importantes, como as próximas rodadas de concessões para a iniciativa privada nas áreas de energia hidrelétrica e de rodovias federais, não podem correr o risco de refluir. Nas telecomunicações, é imperativo formatar e definir as regras para os novos contratos das atuais concessões, com vencimento marcado para este ano'', diz.

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