Embora promissores, os biocombustíveis não são considerados a energia que, de fato, irá substituir o petróleo. Na avaliação do físico nuclear Roberto Yoshiuti Hukai, a ''fase'' deste tipo de energia vai durar entre 50 e 100 anos. No entanto, o hidrogênio - elemento químico apontado como sucessor do petróleo - é retirado do gás metano, cuja fórmula é H4. Neste caso, o problema é que o gás é extremamente poluente, com efeitos 21 vezes piores do que o do gás carbônico. A alternativa recai, então, sobre o etanol, que leva três moléculas de hidrogênio em sua composição.
''Então a utilização do hidrogênio vai passar pelo etanol também. Por isso, o etanol terá vida longa e é uma energia renovável'', avalia Hukai. Também não compensa retirar o hidrogênio da água por ser um processo caro. Além do álcool, o futuro é positivo também para o biodiesel, que deverá substituir o óleo diesel nesta transição. Neste caso, a melhor opção é o pinhão manso, planta não comestível e venenosa. ''Agora (a pesquisa) o biodiesel está em um estágio de desenvolvimento que o etanol estava há 15, 20 anos'', comenta.
Por isso, a demanda pelo biodiesel vai ser grande, mas menor do que a do etanol devido ao menor avanço tecnológico. No entanto, ele ressalva que ainda há resistências quanto à utilização do álcool combustível porque o seu uso exige modificações nos motores dos veículos. O cultivo de plantas para utilização em biocombustíveis também é favorecido no Brasil. O País tem cerca de 65 milhões de hectares de agricultura, mas com um grande espaço para crescer, uma vez que há cerca de 220 milhões de hectares de pastagens desmatadas. ''O Brasil é o único país com espaço para aumentar a área plantada, que tem terra, água em abundância e clima bom'', diz.
Somado a isso, o governo descobriu as maiores reservas de petróleo dos últimos 20 anos, que é o óleo armazenado no pré-sal das bacias de Santos (SP) e de Campos (RJ). ''No futuro vamos ter a oportunidade de explorar e exportar petróleo. Só que não vamos salvar a humanidade com isso porque as reservas são insuficientes para o consumo mundial, mas vamos ganhar muito dinheiro'', observa o físico. (F.M.)

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