Farmácias aumentam áreas para conveniência
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segunda-feira, 30 de outubro de 2006
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Há pouco tempo, quando alguém ia a uma farmácia era praticamente certo que compraria algum remédio. Hoje em dia, esta certeza não existe mais. É algo bastante comum o consumidor entrar em uma farmácia para comprar sorvetes, bolachas, refrigerantes, pilhas, filmes fotográficos e uma série de outros produtos, menos remédio. Em função deste novo conceito, até o espaço físico destes estabelecimentos passa por mudanças. As farmácias ''modernas'' reservam uma área de 15% a 20% exclusivamente para remédios, quase escondida no fundo da loja, e outra bem maior para a conveniência, logo na entrada.
O comerciante Edson Chaves define a farmácia hoje como ''uma loja que deixou de ser aquele negócio de medicamentos e onde a gente encontra de tudo''. Ele aprova a idéia porque considera difícil a sobrevivência do comércio trabalhando em apenas um segmento. ''Eu acho que é uma opção a mais a farmácia vender todas essas coisas'', afirma. Segundo ele, a pessoa pode tanto precisar de um leite à noite para a criança como de uma bebida para tomar com amigos ou mesmo comprar um filme fotográfico em uma emergência. ''Para mim é prático e conveniente, tem muita coisa que é importante para o dia-a-dia'', argumenta.
A distribuidora independente Carla Leite sempre vai à farmácia comprar cosméticos, bolachas e refrigerantes, entre outras coisas, tudo na área de conveniência. Por isso, ela nem havia observado que existe uma divisão entre as duas partes. ''Pensando bem, essa divisão é bem prática, principalmente em função da vida agitada que levamos''. Carla argumenta o fato de encontrar vários produtos no mesmo lugar o que evita o desperdício de tempo. ''Acho isso ótimo, bastante prático; e para mim como consumidora é vantajoso''. Quanto aos preços, ela diz que não vê tanta diferença em comparação com os preços dos supermercados.
O estudante Anderson dos Santos foi a uma farmácia comprar um refrigerante de dois litros. Espirituoso, ele brincou ao ver vários sacos com carvão logo na entrada. ''A única coisa que está faltando é a farmácia vender a carne para o churrasco''. Brincadeiras à parte, ele diz que considera interessante que as farmácias ofereçam esta variedade de produtos principalmente pela inexistência de mercados 24 horas em Londrina.
Para o estudante, o único problema é alguém levar uma criança na farmácia e ela ficar pedindo doces ou sorvetes. Ainda sem perder o bom humor, ele faz uma comparação: ''Hoje nem se pode chamar esta loja de farmácia; o mais certo seria dizer que é uma espécie de mercearia com farmacêutico''.
Conveniência é prestação de serviços
Para o empresário Rubens Benedito Augusto, dono de uma rede de farmácias em Londrina, a área reservada para conveniência nestes estabelecimentos tem por objetivo a prestação de serviços ao consumidor. Ele aponta algumas vantagens para os clientes: a maior parte dos produtos são gêneros de primeira necessidade, ou seja, aquilo que a pessoa precisa com urgência; as compras quase sempre são feitas quando outras lojas estão fechadas, e o consumidor não precisa ir a dois ou três lugares para comprar o que precisa.
E embora a área reservada para conveniência seja bem maior, o empresário diz que este setor representa apenas entre 3 a 5% do faturamento das farmácias. Augusto afirma que até se vende bastante, mas os valores agregados aos produtos são baixos.
O empresário diz ainda que a divisão de espaços não acontece simplesmente por modismo ou para melhorar a aparência das farmácias, e sim por uma resolução estadual que estabelece a necessidade de separação de medicamentos e outros produtos nas farmácias. Segundo ele, no que se refere a remédios, não existe o autoatendimento, ou seja, o consumidor precisa necessariamente ser atendido por um farmacêutico ou outro funcionário da farmácia.
O professor João Luiz Gilberto de Carvalho, especialista em marketing e mestre em administração, diz que há uma tendência mundial na diversificação dos produtos vendidos nas farmácias. Ou seja, o que se observa aqui pode ser visto em outros países da Europa, por exemplo. Hoje, as farmácias estão mais para lojas de conveniência do que para lojas especializadas, afirma. (E.A.)


