Há pouco tempo, quando alguém ia a uma farmácia era praticamente certo que compraria algum remédio. Hoje em dia, esta certeza não existe mais. É algo bastante comum o consumidor entrar em uma farmácia para comprar sorvetes, bolachas, refrigerantes, pilhas, filmes fotográficos e uma série de outros produtos, menos remédio. Em função deste novo conceito, até o espaço físico destes estabelecimentos passa por mudanças. As farmácias ''modernas'' reservam uma área de 15% a 20% exclusivamente para remédios, quase escondida no fundo da loja, e outra bem maior para a conveniência, logo na entrada.
O comerciante Edson Chaves define a farmácia hoje como ''uma loja que deixou de ser aquele negócio de medicamentos e onde a gente encontra de tudo''. Ele aprova a idéia porque considera difícil a sobrevivência do comércio trabalhando em apenas um segmento. ''Eu acho que é uma opção a mais a farmácia vender todas essas coisas'', afirma. Segundo ele, a pessoa pode tanto precisar de um leite à noite para a criança como de uma bebida para tomar com amigos ou mesmo comprar um filme fotográfico em uma emergência. ''Para mim é prático e conveniente, tem muita coisa que é importante para o dia-a-dia'', argumenta.
A distribuidora independente Carla Leite sempre vai à farmácia comprar cosméticos, bolachas e refrigerantes, entre outras coisas, tudo na área de conveniência. Por isso, ela nem havia observado que existe uma divisão entre as duas partes. ''Pensando bem, essa divisão é bem prática, principalmente em função da vida agitada que levamos''. Carla argumenta o fato de encontrar vários produtos no mesmo lugar o que evita o desperdício de tempo. ''Acho isso ótimo, bastante prático; e para mim como consumidora é vantajoso''. Quanto aos preços, ela diz que não vê tanta diferença em comparação com os preços dos supermercados.
O estudante Anderson dos Santos foi a uma farmácia comprar um refrigerante de dois litros. Espirituoso, ele brincou ao ver vários sacos com carvão logo na entrada. ''A única coisa que está faltando é a farmácia vender a carne para o churrasco''. Brincadeiras à parte, ele diz que considera interessante que as farmácias ofereçam esta variedade de produtos principalmente pela inexistência de mercados 24 horas em Londrina.
Para o estudante, o único problema é alguém levar uma criança na farmácia e ela ficar pedindo doces ou sorvetes. Ainda sem perder o bom humor, ele faz uma comparação: ''Hoje nem se pode chamar esta loja de farmácia; o mais certo seria dizer que é uma espécie de mercearia com farmacêutico''.

Conveniência é prestação de serviços
  Para o empresário Rubens Benedito Augusto, dono de uma rede de farmácias em Londrina, a área reservada para conveniência nestes estabelecimentos tem por objetivo a prestação de serviços ao consumidor. Ele aponta algumas vantagens para os clientes: a maior parte dos produtos são gêneros de primeira necessidade, ou seja, aquilo que a pessoa precisa com urgência; as compras quase sempre são feitas quando outras lojas estão fechadas, e o consumidor não precisa ir a dois ou três lugares para comprar o que precisa.
  E embora a área reservada para conveniência seja bem maior, o empresário diz que este setor representa apenas entre 3 a 5% do faturamento das farmácias. Augusto afirma que até se vende bastante, ‘‘mas os valores agregados aos produtos são baixos’’.
  O empresário diz ainda que a divisão de espaços não acontece simplesmente por modismo ou para melhorar a aparência das farmácias, e sim por uma resolução estadual que estabelece a necessidade de separação de medicamentos e outros produtos nas farmácias. Segundo ele, no que se refere a remédios, não existe o autoatendimento, ou seja, o consumidor precisa necessariamente ser atendido por um farmacêutico ou outro funcionário da farmácia.
  O professor João Luiz Gilberto de Carvalho, especialista em marketing e mestre em administração, diz que há uma tendência mundial na diversificação dos produtos vendidos nas farmácias. Ou seja, o que se observa aqui pode ser visto em outros países da Europa, por exemplo. ‘‘Hoje, as farmácias estão mais para lojas de conveniência do que para lojas especializadas’’, afirma. (E.A.)

mockup