O aumento dos subsídios à agricultura norte-americana - que vai injetar aos produtores de grãos mais de US$ 73,5 bilhões em 10 anos, ou cerca de US$ 45 bilhões em seu período de vigência de 6 anos - foi recebido com preocupação pelos produtores do Paraná. Mas o consultor Fernando Muraro, da Agência Rural, de Curitiba, analisa o impacto a médio prazo e conclui que o comportamento do mercado internacional vai depender muito mais da soja brasileira e sua estratégia de comercialização.
Para Adolfo Turquino, que planta 460 hectares de soja na região de Londrina e mais de 450 ha no Sul de Mato Grosso, fica difícil competir no mercado com quem recebe US$ 5,80/bushel de garantia. ‘‘Haja competência e redução de custo’’, diz.
E comenta: ‘‘Competência o produtor brasileiro tem bastante, inclusive para reduzir custos. Mas quando chega na carga tributária as coisas se complicam porque é muito pesada’’.
Segundo Turquino, com o subsídios que o produtor americano recebe do seu governo, o brasileiro triplicaria a produção. Mas ele ressalva: nós agricultores abriríamos mão de subsídios e preço mínimo - se houvesse - porque temos capacidade para enfretar o livre comércio. O que achamos injusto é a carga tributária (sobre insumos, máquinas, etc). Se o governo desonerar o produtor, este resolve todos os demais problemas e vai oferecer alimento barato para o abastecimento interno e para garantir divisas.
Muraro Para o analista Fernando Muraro, da Agência Rural, a proposta aprovada na Câmara dos Estados Unidos não pode ser vista apenas pelo que o agricultor norte-americano vai receber a mais de subsídio na soja. A nova Farm Bill estimula o plantio do milho e reduz a área de soja.
A Farm Bill interrompe um processo de expansão da soja que vinha desde 1993. Naquele ano a área de soja nos EUA foi de 23 milhões de ha chegando a 30 milhões de ha em 2001. Em oito anos, eles incorporaram 7 milhões de ha. Isto muda a partir de agora, o que é bom para a soja brasileira.

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