Nenhuma das 12 farinheiras de Paranavaí (noroeste do Estado) possui licença da Vigilância Sanitária para funcionar, o que tem impedido as empacotadoras da região de trabalhar. A informação é do empresário Adilso José Silvestre, dono de uma empacotadora de farinha de mandioca há 40 anos, que nos últimos dois anos tem tido dificuldades para continuar produzindo.
Silvestre contou que as exigências da Vigilância Sanitária ''têm complicado a vida das empacotadoras'', que também precisam se adequar às normas trabalhistas e sanitárias. Ele mesmo não tem alvará porque não consegue cumprir algumas regras sanitárias como a construção de uma divisória para separar a produção da expedição, a compra de uniforme para os funcionários e a implantação de um lavatório.
''Tinha a licença até 2005, mas desde então não renovaram a documentação'', reclamou Silvestre, ressaltando que todo o empacotamento da farinha de mandioca é automatizado. ''É tudo organizado, ninguém toca em nada.''
Ainda segundo o empresário, a Vigilância também o impede de comprar matéria-prima das farinheiras da cidade, porque as fábricas não têm licença. ''Nunca tive problemas para trabalhar, mas agora simplesmente não dá.''
De acordo com o chefe da Vigilância Sanitária de Paranavaí, Vitor Niehues Filho, o sistema de trabalho das farinheiras era bastante defasado, ''arcaico como dos índios'', e por isso, o órgão não concedeu os alvarás.
Entre as principais não-conformidades das farinheiras, a contratação ilegal de funcionários era a mais preocupante. Cada fábrica opera, em média, com dez funcionários e segundo Niehues, nos últimos cinco anos, a ação conjunta da vigilância com o Ministério do Trabalho de Maringá regularizou a situação do trabalhadores.
''Antes as empresas trabalhavam na informalidade, mas agora já estão registrando'', disse o chefe da Vigilância, ressaltando que as farinheiras também já investiram em equipamentos de proteção individual para garantir a segurança no local de trabalho.
''Mesmo assim não podemos emitir o certificado'', completou Niehues, explicando que os fornos das indústrias de farinha de mandioca ainda precisam ser renovados. ''Mas um forno novo custa em torno de R$ 800 mil'', calculou.
Segundo ele, até o ano que vem as empresas deverão se regularizar a ponto de receber os alavarás de funcionamento. ''Anos atrás as farinheiras concentravam-se na área rural, mas hoje já estão se formalizando, construindo barracões'', declarou Niehues. ''Faz parte da minha política não fechar quem está querendo se adequar'', confessou.
Ainda conforme Niehues, bastaria o empresário Adilso Silvestre adequar ''umas três não-conformidades'' para a Vigilância voltar a fornecer o alvará para a empacotadora. ''Daí ele poderá comprar das farinheiras, mesmo que elas não sejam certificadas.''

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