Os reflexos da desvalorização cambial, ocorrida na primeira quinzena de janeiro, puderam ser sentidos na variação da cesta básica do mês passado, segundo dados divulgados ontem pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio Econômicos (Dieese). Os produtos tiveram uma alta de 3,1%, impulsionados pelo aumento do preço da farinha de trigo, que ficou mais 18,5% cara. O encarecimento do produto é uma consequência direta da importação do trigo argentino. A cesta básica acumulada no ano teve uma variação de 2,5% e em relação a fevereiro do ano passado houve queda de 3%.
Além da farinha de trigo, outros sete produtos ficaram mais caros na cesta básica. O grupo de pesquisadores do Dieese verificou que o café foi reajustado em 11,3% e o óleo de soja em 10,6%. Como o pão é um produto derivado do trigo, ele passou a custar em média 10% mais sobre o mês anterior, após quase um ano sem ter alteração significativa no preço.
O único produto que não teve alteração no preço foi a banana, que em janeiro havia aumentado 7,4%. Os demais produtos, açúcar (-2,1%), batata (-2,3%), feijão (-10,8), tomate (-17,5), ficaram mais baratos. Pelo segundo mês consecutivo, o preço do tomate ficou mais barato.
Com o aumento no custo da cesta básica, um trabalhador precisa gastar 82,4% de seu salário líquido para se alimentar, o que representa R$ 98,56. Em relação ao mês anterior o comprometimento do salário aumentou dois pontos percentuais. Mas a comparação com fevereiro do ano passado, indica que o trabalhador está gastando menos. Em fevereiro de 98, ele precisava dispor de 91,6% de seu salário mínimo para comprar os produtos da cesta básica.
A capital paranaense passou a ocupar o terceiro lugar na escala das cidades com a cesta básica mais cara. São Paulo está em primeiro lugar com uma cesta básica que custa R$ 106,75, seguido de Belo Horizonte com R$ 100,26. A comida para o trabalhador é mais barata em Salvador (R$ 82,92) e em Recife (R$ 84,29).

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