Curitiba - A farinha de trigo vendida às panificadoras e aos supermercados terá um aumento de 20%, correspondente ao repasse da desvalorização cambial sobre o preço do trigo importado. Em consequência, o preço do pãozinho - que já custa em média R$ 0,20 a unidade - também deve subir.
Com a perda de controle do dólar fica impossível não repassar o custo da desvalorização cambial para o consumidor, disse o presidente do Sindicato da Indústria do Trigo, Roland Guth. Ele disse que não sabe como repassar integralmente a alta do dólar para os preços da farinha, com o mercado ''louco'' como está.
Esse tipo de situação prejudica as negociações. Segundo Guth, os moinhos ficam com dificuldades de importar porque não conseguem carta de crédito junto aos bancos para trazer o trigo de fora. ''A instabilidade toma conta de todos os agentes de mercado'', justifica.
Para o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), Cid Cordeiro, um aumento de preços provocados pela explosão do dólar nesse momento é injustificável. Para ele, seria preciso esperar um pouco mais para ver se o mercado permanece nesse patamar. Do contrário, o economista adianta que é especulação e que muitos setores aproveitam a alta para embutir aumentos adicionais de custos.
Apesar disso, Cordeiro acha inevitável que sejam anunciados alguns aumentos nos próximos dias. Entre eles, os preços dos combustíveis e do gás de cozinha, apesar da disposição do governo federal em intervir nesse mercado.

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