Curitiba O presidente da cooperativa Cotriguaçu, Valter Pitol, pretende reunir-se hoje com o superintendente da Associação dos Portos de Paranaguá e Antonina (APPA), Eduardo Requião, para resolver o impasse sobre uma carga de farelo de soja armazenada pela empresa que não estaria dentro dos padrões de exportação exigidos pelo porto.
Na sexta-feira, uma análise laboratorial apontou que o teor de proteína encontrado em parte da carga da Cotriguaçu estaria abaixo dos padrões internacionais, o que motivou a APPA a decretar a suspensão da descarga do farelo no terminal da empresa.
Segundo a APPA, a Cotriguaçu teria desrespeitado a ordem de suspender a descarga do farelo de soja, fazendo com que a carga se misturasse com outras 4.137 toneladas já estocadas no armazém da empresa. Eduardo Requião classificou a prática, conhecida como batismo, de criminosa. ''Esse ato praticado no terminal da Cotriguaçu coloca em risco a credibilidade dos produtores paranaenses, do Porto de Paranaguá e da economia do Estado. Essa situação pode comprometer a qualidade de todo o pool do Corredor de Exportação'', acusou o superintendente da APPA.
De acordo com o procurador jurídico da APPA, Alaor Ribeiro dos Reis, a entidade estuda a possibilidade de oferecer denúncia contra a Cotriguaçu ao Ministério Público. O objetivo, segundo Reis, é punir as empresas que não seguem as normas do mercado internacional; e mostrar que o porto está sendo rigoroso no controle das mercadorias que são enviadas ao exterior.
''Temos notícias de que no passado a Empresa de Classificação do Paraná (Claspar) não fiscalizava as cargas adequadamente. Agora, queremos reverter esse quadro para que o Paraná não seja prejudicado. Muitos mercados, especialmente o chinês, são rigorosos no controle da qualidade da soja que recebem'', comentou o procurador jurídico.
O presidente da Cotriguaçu, Valter Pitol, afirmou ontem que não estava ciente das supostas irregularidades cometidas no terminal da empresa em Paranaguá. ''Prestamos serviço a 30 anos, e seguimos à risca as normas do porto. Pretendo checar pessoalmente no local o que aconteceu, mas só posso classificar como um desencontro, um acidente'', disse Pitol.
O presidente da cooperativa não questionou os laudos emitidos pela Claspar. ''Eu estou perfeitamente de acordo com a política do superintendente da APPA no que tange à qualidade. Evitar que produtos fora das normas sejam embarcados fortalece a imagem não só do Porto de Paranaguá, mas também a imagem das cooperativas'', disse Pitol.

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