Londres - Os preços dos alimentos podem subir mais em 2011 se a produção de itens importantes, como o trigo, não se expandir, alerta a Organização para Alimentação e Agricultura das Nações Unidas (FAO) ''Diante da expectativa de queda dos estoques globais, o volume de produção do próximo ano será crucial para a estabilidade, ou não, dos mercados internacionais'', afirmou a entidade no relatório ''Food Report'', divulgado ontem A entidade diz que o mundo tem que estar preparado para choques de oferta no ano que vem
Apesar de as cotações de vários produtos agrícolas terem tido forte queda na última semana, ainda registram ganhos expressivos no ano, graças a uma combinação de perdas provocadas por eventos climáticos, políticas de gerenciamento de estoques e desvalorização do dólar Recentemente, os preços do açúcar atingiram máxima de 30 anos e o do café, máxima de 13 anos Milho, trigo e soja subiram, respectivamente, 49%, 39% e 35% no ano até a confecção do relatório da FAO Após as quedas dos últimos dias, até anteontem milho, trigo e soja acumulavam alta de 20%, 6% e 19%, respectivamente
''Os consumidores não terão outra opção senão pagar preços mais altos pelos alimentos'', diz a FAO, observando que a migração de agricultores de um produto para outro, do milho para a soja, por exemplo, pode reduzir a oferta de determinados itens alimentícios ''A produção dos principais cereais tem que crescer substancialmente para atender o consumo e recompor os estoques mundiais'', diz a entidade
A FAO prevê que a produção mundial de cereais vai cair 2,1% na safra 2010/11, para 2,22 bilhões de toneladas Em junho, a entidade esperava um aumento de 1,2% O consumo deverá crescer 1,3%, para 2,25 bilhões de t A produção de trigo deverá ceder 5,1%, para 647,7 milhões de t e o consumo, aumentar 1,2% para 668 milhões de t A produção de açúcar é prevista pela entidade em 168,8 milhões de t, aumento de 7,75% para um consumo de 166,09 milhões de t, aumento de 2,15%
Os estoques mundiais de cereais deverão diminuir 7% no período, com destaque para a cevada (-35%), milho (-12%) e trigo (-10%) O único a aumentar será o de arroz, +6%
Os custos de importação de alimentos deverão ultrapassar em 2010 o US$ 1 trilhão pela primeira vez em 2008, quando os preços também atingiram níveis recordes ''Se a pressão do aumento das cotações dos alimentos não for reduzida, a comunidade internacional terá que se manter vigilante e estar preparada para choques de oferta em 2011'', disse a FAO As informações são da Dow Jones

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