FAO adverte que enfermidade da vaca louca é uma ameaça global
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sábado, 27 de janeiro de 2001
France Presse 
Todos os países estão afetados pelas consequências da enfermidade da vaca louca, que representa uma ameaça global, advertiu ontem a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). A agência da ONU pediu aos governos que tomem as medidas necessárias para deter a extensão da epidemia ao homem.
Trata-se de uma situação cada vez mais grave na União Européia, onde estão sendo identificados casos da encefalopatia espongiforme bovina (EEB) em vários países membros que, até recentemente, se consideravam livres da enfermidade, assegurou a FAO.
Os cientistas acreditam que o vírus da EEB, popularmente conhecida como enfermidade da vaca louca, pode estar relacionado com a nova variante da enfermidade de Creutzfeldt-Jakob, detectada nos homens.
A Organização Mundial de Saúde manifestou, nesta sexta-feira, sua preocupação com o que chamou de exposição mundial ao mal da vaca louca e sua forma humana, a nova variante da Doença de Creutzfeldt-Jakob, mas nos Estados Unidos as autoridades descartam qualquer ameaça.
A OMS anunciou estar convocando uma reunião de especialistas internacionais e autoridades de todas as regiões, a ser realizada em Genebra, para tratar das doenças neuro-degenerativas que estão afetando as pessoas e o gado.
A encefalopatia espongiforme bovina, BSE. chamou a atenção mundial em 1986, com o surto britânico. Desde então, 180.000 casos foram confirmados entre o gado e registrados 87 mortes de pessoas vitimadas pela doença na Grã-Bretanha, três na França e um na Irlanda, e alguns casos sob suspeita na Alemanha.
A forma humana da doença normalmente apresenta sintomas psiquiátricos e mudanças de comportamento, dificuldade progressiva de movimentos, distúrbios de memória e outras deficiências cognitivas graves. É incurável, progressiva e fatal. Os sintomas podem aparecer 15 anos depois da infecção.
Nossa preocupação é que houve suficiente comércio internacional de carne e ossos e gado vivo que na realidade já expôs todo mundo, disse à Reuters dra. Maura Ricketts, da divisão de riscos à saúde pública relacionadas a animais e alimentação.
Não há vaca louca Na contra-mão do alerta da OMS, as autoridades norte-americanas de saúde e de agricultura norte-americanos afirmam que a doença não representa uma ameaça nos Estados Unidos.
Examinamos cuidadosamente 12.000 cérebros do gado de mais alto risco dos Estados Unidos e não encontramos nenhuma evidência da doença, disse dra. Linda Detwiler, veterinária do Departamento de Agricultura.
Não temos a doença da vaca louca, afirmou dr. Paul Brown, diretor médico de estudos do sistema nervoso central do National Institutes of Health. Provavelmente nunca teremos a doença da vaca louca, e assim, não é um problema nos Estados Unidos.
Os Estados Unidos proibiram, em 1989, a importação de ração animal da Grã-Bretanha e não tinha importado muito antes disso. Em 1996, foi proibida a importação de ração animal de todos os países europeus.
É possível que turistas norte-americanos infectados no exterior possam ter levado a doença para casa, mas mesmo assim, dizem os especialistas, é pouco provável que cause uma epidemia.
Médicos ingleses trabalham com a hipótese de que a forma humana do mal da Vaca Louca pode estar sendo transmitida entre os seres humanos.
As suspeitas neste sentido aumentaram depois da verificação de que uma recém-nascida morta apresentava os sintomas da doença, que tinha sido a causa da morte de sua mãe. A informação é do jornal inglês The Sunday Telegraph.


