Famílias revêem orçamento doméstico
Cesar AugustoVida mais caraJames Sanches e a família: alta substancial nos preços de telefone, combustível, água, luz e escola particularOs gastos com educação, serviços públicos, contas domésticas e saúde pesaram mais no orçamento da classe média, no ano de 97, segundo pesquisa feita pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Esutdos Sócio-Econômicos (Dieese). No período da pesquisa - 96/97 -, enquanto a inflação registrou alta de 6,32% (ICV/Dieese), os gastos mensais da residência (água, luz, telefone, serviços domésticos e produtos de limpeza) subiram 27,22%. As despesas com educação foram o dobro da inflação - 12,8%. Os gastos com plano de saúde e medicamentos subiram 12,03%.
Segundo a economista e supervisora da Pesquisa de Orçamentos Familiares do Dieese, Cornélia Nogueira Porto, o aumento nesses gastos está levando as famílias de classe média a rever o orçamento doméstico e a mudar hábitos de consumo. As reposições salariais, que ficam abaixo dos reajustes de preços, e o cenário de desemprego têm forçado essa mudança de hábitos, avalia Cornélia. Em contrapartida, houve redução nos preços de outros segmentos, como os do vestuário e de eletroeletrônicos. Os preços estão caindo ou subindo abaixo da inflação, dependendo do segmento, porque as pessoas devem estar priorizando suas compras.
Neiva Souza Celeste, que trabalha como babá, afirma que a compra de supermercado sobe todo mês. Para comprar os mesmos itens, tem que levar mais dinheiro, diz. A saída é reduzir custos. Neiva conta que cortou o consumo de enlatados. O marido trabalha como funcionário público e os dois filhos mais velhos também já estão empregados. Só o caçula não trabalha. O dinheiro dos filhos mais velhos fica para as despesas deles. Os gastos da casa são pagos por mim e por meu marido, diz.
Com a alta na tarifa telefônica, Neiva afirma que passou a usar o telefone nos horários mais baratos. Ela concorda que houve redução no preço de vestuário. É difícil passar um mês sem levar uma peça de roupa. O vestuário está barato. São artigos bons com preços acessíveis. A família ainda mantém plano de saúde, subsidiado pelo emprego do marido. Meus filhos vão para a escola pública. Nunca estudaram em colégio particular.
A professora universitária Maria Beatriz Pacca, casada com um professor e mãe de um menino de oito anos, afirma que as contas da família com moradia e educação sobem todo início do ano. O financiamento da casa subiu 10% em janeiro. O custo da escola do filho aumentou cerca de 15%. Foram altas acima da inflação e do reajuste salarial, diz.
Segundo Beatriz, a redução no preço do vestuário não levou a família a consumir mais roupas. Compramos quando há necessidade, explica. O que mudou - diz - é que a família passou a comer com mais qualidade. Não houve redução no preço da comida, mas agora é possível planejar melhor as compras. Incorporamos novos produtos alimentícios. Dá para comer carne todos os dias, se quisermos.
O empresário do setor de couro, James Souza Sanches, afirma que sente no bolso que está gastando mais com água, luz, telefone, combustível e com a educação das duas filhas. As tarifas públicas e as mensalidades escolares tiveram uma alta substancial, se comparar com os índices de inflação, diz.
De acordo com Sanches, o preço do vestuário teve uma queda em função da concorrência com os produtos importados. Também vejo na televisão que as pessoas estão comprando mais eletrodoméstico do que antes. Na família, Sanches diz que não passou a comprar mais roupas porque sempre consumiu o necessário. Não precisei adquirir nenhum eletrodoméstico novo, mas sei que está mais em conta.





