Josoé de CarvalhoQuestão de qualidadeSílvia Simão e as três filhas que estudam em escola particular: ‘‘Nunca pensei em tirar as meninas do colégio. O ensino pago ainda é melhor.’’Cortar gastos com vestuário e lazer é um dos sacrifícios que a família da dona-de-casa e estudante Tânia Bellezi faz para manter três filhos - de 15, 14 e 8 anos - em escola particular. A caçula, de três anos, ainda não vai para a escola. Segundo Tânia, os filhos só têm ensino particular por causa dos descontos. ‘‘Eles estudam num colégio adventista. Como também sou adventista, tenho um bom desconto. Se não, não teríamos condições de pagar integral’’, diz.
O custo das mensalidades fica em R$ 360,00. O marido de Tânia trabalha como técnico hospitalar em dois empregos. ‘‘O problema maior é com a lista de material. No ano passado, gastamos R$ 500,00 só com livros. Às vezes, pagamos parcelas de livros até maio ou junho’’. Segundo ela, nem sempre dá para aproveitar o material de um ano para outro.
Tânia conta que já pensou em matricular as crianças em escola pública. ‘‘Seria mais prático porque há escolas públicas muito boas. Mas o ensino particular ainda é melhor. Gosto também do ensino religioso. Então, prefiro cortar outros gastos e manter a educação dos meus filhos.’’
Mário CesarA despesa maiorTânia Bellezi e os filhos: gastos com material escolar devem chegar a R$ 500,00. ‘‘Nem sempre dá para aproveitar os livros de um ano para o outro’’.
A dona-de-casa Sílvia Prado Simão calcula que o gasto da família com a escola particular das três filhas é equivalente ao custo de moradia - aluguel mais condomínio. São R$ 440,00 todo mês. Por ano, ela acredita que a escola, incluindo material, uniforme e outras despesas, consome R$ 6 mil do orçamento familiar. O marido é gerente de vendas de uma indústria.
Como as três meninas, de 16, 14 e 9 anos, estudam na mesma escola, Sílvia tem desconto de 30%. Ela ainda não sabe como vai pagar as mensalidades de fevereiro.‘‘Em dezembro, paguei a matrícula com cheque para janeiro. A mensalidade de janeiro vai cair em fevereiro. No mês que vem, quando tenho que pagar mensalidade e material escolar, vou ver como fazer’’.
Ela conta que, apesar do esforço, nunca pensou em tirar as filhas da escola particular. Segundo Sílvia, alguns anos atrás, quando as filhas estavam em outro colégio, ela chegou a ficar devendo seis meses. ‘‘Negociamos, mas não tiramos as meninas.’’ (C.P.a)

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