Rio As famílias brasileiras estão mais confiantes, poupadoras e menos endividadas, revelou a Sondagem de Expectativa do Consumidor relativa a setembro, divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). O responsável pela pesquisa, economista Aloisio Campelo, disse que, ainda que o aumento da confiança seja ''gradual'', mantém-se a tendência de recuperação iniciada em julho. ''Não há uma onda de euforia, mas a recuperação da confiança prossegue'', disse. Dos 1.472 domicílios nos quais os chefes de família foram entrevistados entre os dias 5 e 20 de setembro, 44,6% acreditam que a situação da economia vai melhorar nos próximos seis meses, porcentual superior aos 42,4% da pesquisa de agosto.
O saldo (diferença entre a proporção de consumidores que acham que a situação está melhor e dos que a consideram pior) foi de -3,5%, número que, apesar de negativo, é o melhor desde janeiro. Campelo disse que os principais fatores que interferem na expectativa do consumidor são o emprego e a renda, mas também há interferência indireta de questões como preços e taxas de juros.
Houve uma queda do porcentual dos que avaliam que haverá uma piora da economia nos próximos seis meses. Em setembro, 13,2% achavam que a situação vai piorar, ante 14,2% em agosto. Segundo Campelo, no período da pesquisa, a única notícia mais relevante foi o aumento da taxa básica de juros (Selic) de 16% para 16,25% em 15 de setembro, mas a sondagem ainda não captou a consequências dessa mudança sobre as expectativas.
Poupança A sondagem mostrou que as famílias aumentaram a poupança e reduziram o endividamento. O porcentual dos que responderam que a família está endividando-se caiu para 25,8% (era de 26,7% em agosto), enquanto o porcentual das que estão poupando subiu para 16,9% (14,9% no mês anterior). ''Nos momentos em que há crescimento do emprego e da renda, o saldo tende a ser menos negativo'', disse Campelo. Segundo a FGV, o porcentual dos que estão poupando (16,9%) é o maior da série histórica, iniciada em outubro de 2002. ''O aumento dos poupadores nessa pesquisa está atrelado ao crescimento da confiança, do otimismo, do emprego e da renda'', afirmou.
Apesar da gradual recuperação do otimismo, a confiança não está trazendo fortes reflexos sobre a decisão de compra de bens de alto valor (eletrodomésticos, computadores, automóveis). Segundo a sondagem, o porcentual dos chefes de família que pretendem ter gastos maiores com esses bens nos próximos meses, em relação aos seis meses anteriores, foi de 17,6%, pouco acima dos 17,5% de agosto. Por outro lado, o porcentual dos que esperam ter menores gastos com esses bens caiu para 50,7% em setembro, comparado aos 52,8% na pesquisa anterior. Campelo disse que esses dados não costumam sofrer alterações bruscas, já que as compras costumam ser bem planejadas pelas famílias.

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