Famílias estão cautelosas em ir às compras
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Das Agências 
São Paulo - O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) da Fundação Getulio Vargas recuou 1% entre julho e agosto de 2012, ao passar de 121,6 para 120,4 pontos. Essa foi a quarta queda consecutiva e o resultado é o menor desde o registrado em fevereiro de 2011 (119,4 pontos). Em agosto de 2011 o ICC registrado foi de 118,7 pontos. Segundo a FGV, mesmo com a perda da confiança, o indicador ainda se situa acima da média dos últimos cinco anos, de 114,1 pontos.
A opinião do economista da consultoria Tendências Sílvio Campos é que o cenário não é tão ruim quanto parece em um primeiro momento. Ele pondera que o indicador de confiança deve ser analisado em conjunto com outras estatísticas conjunturais, como a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), que registrou alta de 1,5% na passagem de maio para junho, e o índice de desemprego, que continua em um patamar baixo, em sua opinião.
''A confiança está contida, mas a população não parou de consumir'', disse Campos, que aposta em uma queda de 0,5 ponto porcentual da Selic na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o último corte até o fim do ano, que levaria a taxa a 7,5% no fechamento de 2012.
Para a economista do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV) Viviane Seda, a queda de confiança do consumidor é proporcional à piora do mercado de trabalho. ''Antes, havia uma série de variáveis influenciando a percepção do consumidor sobre a economia. Atualmente, prevalece a preocupação com o emprego. A avaliação é que a situação atual preocupa, embora os consumidores estejam apostando um pouco mais no segundo semestre'', afirmou.
A retração do endividamento das famílias tende a recuar no fim do ano, afirma o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC) Bruno Fernandes. A perspectiva de saldar dívidas nos próximos seis meses explica, em sua opinião, a melhora do Índice de Expectativas da pesquisa da FGV, de 0,3% de julho para agosto, após queda de 1,9% no mês anterior.
O consumidor percebe que a economia está se recuperando lentamente, segundo Viviane, da FGV. ''O que se espera é que, no segundo semestre, novos postos de trabalho sejam criados e o consumidor volte às compras'', ressaltou a economista.



