Rio - Os alimentos voltaram a pressionar para baixo a variação de preços medida pelo Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda para as famílias de renda muito baixa, que registraram deflação de 0,12% em agosto. Esse resultado foi duas vezes maior do que a deflação apresentada nas famílias de renda mais alta (-0,06%). Desta vez, a inflação também foi impactada pela queda de 1% no preço do gás de cozinha

"Este alívio mais intenso da inflação das famílias mais pobres foi possibilitado, mais uma vez, pela deflação nos preços dos alimentos no domicílio, em especial de itens importantes na cesta de consumo desse segmento", explicou o Ipea em um comunicado nesta terça-feira (11), citando entre as quedas mais importantes os tubérculos (-9,7%), carnes (-1,5%), leites e derivados (-1,3%) e aves e ovos (-1,3%).

O indicador separa por seis faixas de renda familiar as variações de preços medidas pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), apurado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os grupos vão desde uma renda familiar de até R$ 900 por mês, no caso da faixa com renda muito baixa, até uma renda mensal familiar acima de R$ 9 mil, no caso da renda mais alta. No mês de agosto o IPCA caiu 0,72%.

Já para as famílias de renda mais alta, a deflação no preço dos alimentos teve menor impacto do que para a faixa de baixa renda e a queda de alguns itens como gasolina (-1,5%) e passagens aéreas (-26,1%) foram compensados pelas altas nas tarifas de gás encanado (+1,2%) e do plano de saúde (+0,8%).

No ano, a inflação entre as famílias de renda muito baixa acumula alta de 2,64% e nas de renda muito alta sobe 3,08%, enquanto o IPCA acumula alta de 2,85%. Nos 12 meses terminados em agosto, entretanto, as famílias de renda mais baixa acumulam mais inflação do que tinham até julho, passando de uma alta de 3,45% para 3,55%.


ÍNDICE SEMANAL
O IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor - Semanal) avançou em cinco das sete capitais pesquisadas na primeira quadrissemana de setembro na comparação com a anterior, informou nesta terça-feira a FGV (Fundação Getulio Vargas). O IPC-S geral da primeira leitura do mês também acelerou no período, ao atingir 0,13%, depois de registrar 0,07% na quarta medição de agosto. Nesta apuração, cinco das oito classes de despesa componentes do índice registraram acréscimo em suas taxas de variação. A maior contribuição partiu do grupo Alimentação (0,06% para 0,18%). Nesta classe de despesa, cabe mencionar o comportamento do item hortaliças e legumes, cuja taxa passou de -6,94% para -5,17%.

Por capitais, houve aceleração nas taxas de inflação do Recife (0,19% para 0,25%); Rio de Janeiro (0,12% para 0,21%); Porto Alegre (0,01% para 0,07%); São Paulo (0,13% para 0,17%); e Brasília (-0,19% para alta de 0,16%) da quarta leitura de agosto para a primeira quadrissemana deste mês.

Já nas duas restantes, houve alívio nas variações do IPC-S: Salvador (-0,03% para -0,13%) e Belo Horizonte (0,20% para 0,13%). A próxima divulgação dos resultados regionais do IPC-S será no dia 18.

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