Famílias com o pé no freio do consumo
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quinta-feira, 05 de julho de 2018
Aline Machado Parodi <br>Reportagem Local 

A quantidade de famílias com dívidas recuou em junho ante maio, na terceira queda seguida, conforme a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), divulgada pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).
O porcentual de famílias com dívidas foi de 58,6% dos entrevistados em junho, ante 59,1% em maio. Houve redução também na comparação com junho de 2017, quando o indicador alcançou 59,4% do total de famílias.
"O recuo do endividamento tem um lado positivo e outro negativo. Mostra uma cautela do consumidor em relação as dívidas", ressaltou Marianne Hanson, economista da CNC. A análise da especialista é que a retração do consumidor reflete as incertezas e indefinições do quadro eleitoral e a lenta recuperação da atividade econômica, principalmente dos postos de trabalho.
A redução das taxas de juros não está estimulando a contratação de crédito. "Observa-se que o crédito mais barato ajuda a pagar as dívidas em dia. As parcelas dos financiamentos, por exemplo, diminuem. Mas essa queda das taxas de juros não foi suficiente para estimular o consumo das famílias", explicou Hanson.
Para o economista Marcos Rambalducci, professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), responsável pela Peic de Londrina, e colunista da FOLHA, o indicador nacional reflete a realidade de Londrina.
"Está apresentando uma característica de disciplina do consumidor, mas também um medo de tomar crédito por insegurança da permanência da renda", afirmou Rambalducci. A Peic de Londrina é trimestral e a última, divulgada em maio, apontou essa tendência nacional. O comprometimento da renda das famílias londrinenses caiu de 62,6% para 58,8%.
A proporção das famílias que se declararam muito endividadas diminuiu em relação a maio, passando de 13,4% para 13% do total de famílias brasileiras entrevistas. Na comparação anual, a queda foi de 1,4 ponto porcentual.
A auxiliar de enfermagem Milena Santos de Souza, 43, mantém as contas em dia, mas afirma que a renda da família está muito comprometida com dívidas. "Procuro cuidar das contas, porque todo mês os boletos de água, luz, telefone são uma surpresa. Tenho um limite baixo no cartão de crédito e sempre que posso prefiro parcelar as compras no carnê, porque se atrasar os juros não são tão altos", contou Souza.
A queda no porcentual de famílias com dívidas foi acompanhada de recuo na inadimplência. A proporção das famílias com dívidas ou contas em atraso passou de 24,2% em maio para 23,7% em junho. Na comparação anual, houve redução de 1,9 ponto porcentual.

ACIMA DA MÉDIA
Londrina foge da média nacional em relação a inadimplência. Enquanto no Brasil a proporção de famílias que declararam não ter condições de pagar as contas ou dívidas em atraso no Brasil- o que, segundo a CNC, indica que seguirão inadimplentes -, passou de 9,9% em maio para 9,4% em junho, em Londrina esse percentual é de 17%.
Segundo o economista Marcos Rambalducci, professor da UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná), responsável pela Peic de Londrina, e colunista da FOLHA, isso mostra a dificuldade do londrinense em pagar as contas. "Isso está ligado ao desemprego formal. Londrina a região metropolitana não estão conseguindo reverter os dados do desemprego", afirmou. Segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego) do Ministério do Trabalho, de janeiro a maio Londrina acumula o saldo negativo de 526 postos de trabalho com carteira assinada.
O pedreiro Cleristo Oliveira Barbosa, 34, ficou desempregado recentemente e está pagando só as contas fixas com o valor que recebe do seguro-desemprego. A aposentada Luzia Máximo, 60, faz malabarismo para pagar as contas e vem evitando contratar novas dívidas. "Você paga uma conta num mês, atrasa outra. E assim vai. Só equilibrando aqui e ali. Tem que controlar os gastos que dá", afirmou.
O tempo médio de atraso para o pagamento de dívidas foi de 63,6 dias em junho, ante 62,8 dias em igual período do ano passado. Em média, o comprometimento com as dívidas foi de 7,2 meses, sendo que 32,9% das famílias possuem dívidas por mais de um ano. "Entre aquelas endividadas, 20,2% afirmam ter mais da metade da sua renda mensal comprometida com o pagamento de dívidas", diz a nota divulgada pela CNC.
Os dados da Peic mostram que o cartão de crédito continua sendo o principal tipo de dívida, apontado por 76,3% das famílias entrevistadas. Em seguida, vêm os carnês (15,2%) e, em terceiro lugar, o financiamento de carro (11,2%).
No futuro, o recuo do endividamento pode ser positivo, segundo Rambalducci, pois o consumidor estará com crédito liberado para gastar. A perspectiva do comércio é de crescer 5% este ano, em relação a 2017. (Com Agência Estado)


