Em 1999, o motorista de ônibus José Carlos Spirandelli comprou um ponto comercial e deu para os filhos André e Adriano tocarem. Era um ''botecão'' com nome de padaria, sem atrativo algum, faturamento incerto, e que vendia 150 pãezinhos por dia. A pequena clientela vinha do próprio bairro, o Parque Guanabara (Zona Sul). Não demorou muito para o cenário mudar completamente. O negócio cresceu junto com o desenvolvimento da Gleba Palhano, a região mais valorizada de Londrina, onde as construções não param: são mais de 30 prédios prontos e mais de 20 em construção - a maioria de alto padrão.
''Cada obra que começa é um conta aberta na nossa padaria'', comemora Adriano, 32 anos, satisfeito os rumos do seu negócio. Ele diz que uma grande construtora com muitas obras na região tem crédito constante na padaria para oferecer o lanche diário aos funcionários. Os novos moradores de cada edifício entregue são sempre clientes potenciais. E assim o negócio não para.
O ''botecão'' virou uma padaria moderna (Panificadora e Confeitaria Santa Ceia), preparada para atender uma população com alto poder aquisitivo. O ponto foi reformado e ampliado - triplicou de tamanho, com 350 metros quadrados - e o faturamento deu um salto incalculável. ''Não dá nem para comparar. No começo só vendíamos pãozinho, que pegávamos em outra padaria, a pé, pois nem carro tínhamos. Era uma coisa cabulosa. Mas nunca deixamos de acreditar que a situação iria melhorar'', conta André, 25 anos.
O salto veio quando eles começaram a produzir o próprio pãozinho e demais variedades. Hoje vendem 3 mil pães por dia, fabricam mais de 300 itens, têm 16 funcionários, e o faturamento cresce 5% ao mês. A qualidade de atendimento e dos produtos conta muito, já que a clientela é exigente. Atrás do balcão, os irmãos Spirandelli percebem o aumento do poder de consumo da população. ''É claro que ainda vendemos mortadela, mas também temos queijo tipo europeu de R$ 50 o quilo e presunto parma de R$ 90 o quilo'', repara Adriano.
O sucesso do negócio dá aos Spirandelli uma vida confortável. ''Graças a Deus, ao nosso esforço e a confiança dos clientes, posso dizer que tenho uma vida maravilhosa. Tenho carro, moto, vou pescar nas horas de folga. Não passo vontades'', diz André. Adriano reconhece o salto na qualidade de vida da família, mas não credita as conquistas ao governo atual. ''Claro que as coisas melhoraram, a alimentação ficou acessível, as pessoas ganham mais. Mas tudo o que estamos vivendo representa uma evolução iniciada lá no Plano Real'', observa André. Os dois são solteiros e moram com o pai que, por opção, continua trabalhando como motorista de ônibus. Mas acompanhando de perto a evolução do negócio que plantou para a família. (G.M.)

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