Rio de Janeiro - Se todos os aposentados fizessem empréstimos de maneira equilibrada e segura, como Admirce do Nascimento, 68 anos, que pediu R$ 2 mil em dezembro para fazer uma obra de melhoria em sua casa no Recreio, a onda de empréstimos consignados (com desconto em folha) só traria benefícios para idosos, funcionários de grandes empresas e para a economia do País, segundo economistas como o professor Luis Roberto Cunha, da PUC do Rio.
D. Admirce é uma veterana de empréstimos, com os quais vai embelezando a sua casa. Mãe de três filhos já independentes, ela diz que nunca ficou apertada. ''Eu peço o necessário e o que posso pagar'' - ensina.
Muitos idosos, apesar de contribuírem para a renda familiar - 40% deles são provedores, segundo o IBGE - são coagidos pelos parentes a fazerem empréstimos e acabam se endividando com medo de perder o afeto ou o apoio de filhos e netos. Nesses casos, a psicanalista Susan Guggenheim, do Serviço de Psicologia Aplicada da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, recomenda que os idosos sejam firmes e dêem limites à família, mantendo sua independência:
''Eles podem se sentir inseguros, com medo de perder afeto e apoio, mas devem saber que as relações familiares não podem se basear nesse tipo de troca. Filhos e netos precisam respeitar a autonomia dos pais e dos avós.''
O professor Luis Roberto Cunha diz que os empréstimos consignados representam maior risco para aposentados e trabalhadores que não conseguem viver com o que ganham, e ficam pendurados em financeiras e em juros altos. ''Ainda que alguns bancos tenham taxas maiores que os 2% anunciados pelos artistas de TV, elas são sem dúvida menores que qualquer financeira. Mas todo empréstimo tem risco e só deve ser feito por necessidade, não por consumismo.''
Quando o empréstimo é inevitável, deve-se avaliar a concorrência e escolher a melhor oferta. ''São quase 20 bancos que fazem esse tipo de empréstimo, entre eles o Banco do Brasil. É uma concorrência melhor que qualquer financeira. Nas financeiras, você nem sabe quais são as taxas cobradas. E, se atrasar uma prestação, vai para o SPC e para o Serasa'', diz Cunha.
O professor diz que não teme uma recessão causada pela queda de consumo dos idosos. Segundo ele, os aposentados com novo potencial de consumo estão, antes, salvando a economia. No entanto, Cunha diz que os grandes bancos, em balanços recentes, aumentaram suas provisões para devedores duvidosos. ''Isso significa que esperam uma inadimplência para breve. Se os aposentados receberão menos, vão deixar de pagar muita coisa.''

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