Para a especialista em economia doméstica Maria Eduvirges Marandola, a educação financeira é fundamental para que a família possa viver de forma harmoniosa. Alguns ensinamentos em relação ao tema, segundo ela, podem - e devem - muito bem ser iniciados e desenvolvidos dentro de casa. Um deles é o planejamento de atividades em comum, metas coletivas e projetos em conjunto.
Conforme Eduvirges, professora da Unifil, é interessante que toda a família estabeleça alguns objetivos para o período de pelo menos um ano, como realizar viagens, reformar a casa ou comprar um carro. ''Se disser para uma criança ou adolescente, 'precisamos economizar', a tarefa vai ser bem difícil. Porém, se disser que a economia vai servir para realizar alguma coisa, como um passeio bem bacana, torna-se mais agradável a ideia'', justifica a economista.
Essa atitude, de acordo com ela, é interessante porque economizar normalmente significa abdicar de algumas coisas, o que para os filhos pode ser muito ''torturante''. ''Mas quando eles têm a noção de que vão poder compartilhar e aproveitar dessas economias, a tarefa torna-se recompensante'', afirma.
Eduvirges observa que para o processo ser ainda mais eficiente recomenda-se que os pais dividam com os filhos todas as etapas, mostrando, por exemplo, o quanto estão conseguindo economizar por mês. Além disso, é conveniente que sejam estabelecidas ações para alcançar a meta, como a família toda avaliar a necessidade da compra de algum item que foi pedido por alguém da família e que não estava previsto no orçamento. ''Vivemos em uma cultura de ostentação, somos bombardeados por informações o tempo todo, muitos produtos são tentadores, mas nem sempre ou quase nunca temos necessidade deles. É preciso racionalizar as compras'', orienta.
Consumo consciente
Educação financeira e consumo consciente estão diretamente ligados, na opinião de Eduvirges. Atitudes caseiras simples e de bom senso, aponta ela, são fundamentais para a economia doméstica: produtos de limpeza utilizados na medida certa, apagar luzes se não há ninguém no cômodo, consumo racional dos alimentos sem ter que jogar resíduos no lixo. ''São passos simples, que começam em casa, ajudam a família a economizar e contribuem até mesmo na preservação do planeta. E ninguém precisa ficar triste com essas atitudes porque isso é consumo com sabedoria'', garante.
Quando os filhos são educados com bom senso, para o consumo consciente, observa a economista, o resultado dessas orientações e comportamentos em família pode ser impressionante. ''Ele vai levar esse aprendizado para a vida na escola, na empresa, nas suas relações sociais. Vai ser o tipo de pessoa que não enche o prato no restaurante e depois joga comida fora, que não gasta um monte de papel sem necessidade ou que toma um banho de uma hora na casa de uma visita'', exemplifica.
A família, conforme Eduvirges, também é responsável por ensinar os filhos a planejarem suas vidas, organizando as economias. Ela recomenda, por exemplo, que os ganhos da família sejam divididos em consumo e poupança (resíduos). ''Os pais precisam explicar que quando se consome tudo não sobram resíduos, e sem isso é muito difícil viver feliz, pois não há como sonhar, estabelecer projetos'', diz.
Além disso, acrescenta, quando se consome mais do que se ganha, as acusações são inevitáveis, pois as pessoas da família sempre acabam jogando ''na cara'' umas das outras quem gastou mais. ''Se você está educando, as crianças precisam entender que os recursos não são intermináveis e vêm de uma determinada fonte, por exemplo, um trabalho. Uma vez bem explicado isso fica mais fácil para controlar as despesas e justificar a abdicação de algumas coisas'', avalia a economista. Uma boa alternativa também para ajudar os filhos a planejarem seus próprios gastos é oferecer uma ''mesada''. Segundo Eduvirges, tendo um limite para gastar, os filhos podem começar a definir melhor suas compras e assim não desperdiçar dinheiro. (E.Z.)

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