Com duas filhas em idade escolar - ainda que uma tenha ingressado neste ano em uma universidade pública -, os gastos do comerciante londrinense James Sanches para manter a saúde, educação e previdência de sua família são altos e correspondem por quase 14% dos seus rendimentos anuais. Isso significa que Sanches precisa trabalhar 44 dias para custear serviços básicos.
A esposa do comerciante, Celi Sanches, confirma que o pagamento desses serviços que, em tese, deveriam ser concedidos pelo governo em troca do pagamento dos impostos, pesa bastante no orçamento. Não é que os serviços não sejam prestados, mas a qualidade questinável obriga a classe média a assumir esse ônus.
''Veja o plano de saúde, por exemplo, são uns R$ 5 mil por ano que não usamos e também não acho que seja o melhor, mas pago porque tenho medo de precisar do sistema de saúde pública'', argumenta a dona de casa.
É a mesma lógica do serviço deficiente que levou o casal a matricular as filhas em escolas particulares desde o início da idade escolar. ''As escolas não têm mais segurança, os prédios mais parecem presídios e não vejo como possa haver estímulo ao aprendizado dessa maneira'', argumenta. O ingresso da filha mais velha em uma instituição pública, contudo, não diminuiu totalmente as despesas. ''Pensamos que ia diminuir, mas só de xerox e outras coisas estou vendo que vou gastar uns R$ 400 por mês'', finaliza.

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