Faltará recurso para a habitação?
Com o mercado da construção civil bastante aquecido, alguns analistas fazem projeções pessimistas com relação à caderneta de poupança, afirmando que a curto, médio ou longo prazos os bancos não terão recursos para atender à demanda da habitação. O superintendente regional da Caixa Econômica Federal em Londrina, Roberto Luiz Bachmann, no entanto, discorda desta previsão. Ele justifica que existem alternativas de mercado como a securitização dos créditos habitacionais para fazer frente à procura do Sistema Financeiro de Habitação.
O gerente do Departamento de Economia e Estatística do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), Roberto Akazawa, esclarece que há uma regulamentação que direciona 65% do saldo das cadernetas de poupança para crédito imobiliário e, se a tendência atual de crescimento de financiamentos permanecer, haverá esgotamento da obrigatoriedade desse direcionamento.
Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) registram volume de crédito no setor na ordem de R$ 34 bilhões em 2009, R$ 56 bilhões em 2010 e projeção de R$ 85 bilhões para 2011, segundo Akazawa. ''Se o ritmo de crescimento persistir, o teto de direcionamento será atingido em 2013 ou 2014'', prevê. De acordo com Akazawa, a Abecip e as entidades do setor imobiliário estudam alternativas de recursos viáveis no mercado financeiro para um eventual esgotamento.
O presidente da Abecip, Luiz Antonio França, prevê que o crédito imobiliário continuará crescendo em ritmo forte na primeira metade desta década, devendo superar a proporção de 10% do Produto Interno Bruto (PIB), mais que o dobro do total, conforme projeções da entidade. ''Em síntese, será possível, até 2020, construir mais de 10 milhões de novas moradias com recursos das cadernetas de poupança e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)''.
''Até o momento, os depósitos de poupança e o FGTS cumpriram seu papel, e tudo indica que continuarão a cumpri-lo por mais um ou dois anos, pelo menos. Mas seria um equívoco imaginar que a estrutura de captação possa permanecer idêntica à atual, indefinidamente. Cabe aprimorá-la, seguindo o exemplo dos países desenvolvidos'', acrescenta.
Depois dos resultados de 2010, quando os montantes financiados com recursos das cadernetas cresceram 65% e os saldos dos depósitos de poupança aumentaram 18%, houve um leve arrefecimento da captação no primeiro trimestre, conforme França.
Ele propõe, portanto, a criação de novos instrumentos de captação em adição às contas de poupança. ''Em especial, devemos destacar o mecanismo dos covered bonds, títulos com excelente retrospecto, no exterior, onde já se mostraram eficientes para superar conjunturas de baixa liquidez'', sugere. (A.V.)





