Os recursos do Pronaf não estão chegando ao pequeno produtor no Paraná. Falta dinheiro no Banco do Brasil para financiar contratos de custeio e de investimentos pelo Pronaf. Os maiores prejudicados são os produtores que querem financiar o custeio do milho safrinha e a segunda safra de feijão. Por outro lado, os pequenos produtores, vinculados aos contratos de Pronaf para custeio ou investimentos, não conseguem recursos para comercialização.
‘‘Esta situação está provocando o maior transtorno entre os cooperados da Coamo’’, disse o gerente de crédito rural da cooperativa, José Aparecido Bernardo. Segundo ele, os pequenos produtores não têm dinheiro para pagar as diárias dos trabalhadores que fazem a colheita do algodão.
A demanda existente para custeio é de R$ 32 milhões, sendo R$ 2 milhões do Pronaf para o plantio de milho safrinha e R$ 8 milhões para os beneficiários do Proger Rural. Para médios e grandes produtores, a demanda atinge R$ 22 milhões, segundo levantamento da Superintendência do BB.
Para o plantio de trigo que começa no mês que vem, a demanda estimada para o custeio no Paraná é de R$ 100 milhões. Ainda não há previsão para a liberação desses recursos, mas o gerente de Agronegócios do BB, Dilson Botega, acredita que até abril o fluxo de recursos estará normalizado. Também os recursos para investimentos estão suspensos.
O assessor técnico da Fetaep, Sergio Gutierrez, sugere a realocação de recursos recolhidos pelo Banco Central, de bancos que não investiram em crédito rural, para o Pronaf. Segundo ele, estão retidos no BC R$ 382 milhões que o governo poderia dispor para o crédito rural, sem a necessidade de empenhar dinheiro do Tesouro Nacional. José Aparecido Bernardo, da Coamo, acredita que até o segundo semestre o BC terá retido cerca de R$ 1 bilhão em recursos não aplicados em crédito rural por parte dos bancos.
Apesar da sobra de dinheiro do crédito rural no caixa do Banco Central e nos bancos, estão faltando recursos aos produtores chamados de ‘‘ pronafianos’’ para a comercialização da safra. O que está emperrando o processo, segundo Bernardo, é a resolução do BC 2409 que impede a concessão de crédito para comercialização aos produtores enquadrados no programa e que estão vinculados por algum débito. Com isso, eles não podem receber novos financiamentos, nem do Pronaf nem do crédito rural. A situação se agrava no caso de produtores que financiaram investimentos em três anos e ainda estão amortizando as prestações.(V.C.)

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