Faltam propostas para o desenvolvimento econômico
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sexta-feira, 15 de setembro de 2006
Da Redação 
Empresários de todo o país estão preocupados com a falta de propostas dos candidatos à presidência da República para a economia. No ano passado o País teve um crescimento pífio, na casa dos 3,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Enquanto países emergentes têm taxas superiores a 7%, a previsão de crescimento do Brasil neste ano, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), é de 3,3%. Para 2007 a projeção do IPEA também não é nada otimista. O Instituto acredita que o país crescerá 3,6%.
Segundo o presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-LDR), José Joaquim Ribeiro, são pouquíssimos segmentos que estão satisfeitos com o que está acontecendo no país. ''O governo é o irrigador da economia. A economia só vai bem se o governo for bem. Eu nunca vi um governo ir mal e a economia ir bem'', exemplifica Ribeiro.
Ele afirma que não há um plano consistente para a economia brasileira a médio e longo prazo. Por isso, prossegue, a economia do país fica tão vulnerável. Como exemplo Ribeiro cita a seca dos últimos dois anos que afetou gravemente a produção agrícola. ''A agricultura ainda é o principal propulsor da nossa economia, com a seca prolongada que ocorreu, parou tudo no Paraná. Não há circulação de dinheiro. Além dos agricultores, as empresas também estão endividadas. E isto está acontecendo porque não há planejamento econômico'', opina.
Segundo ele, o governo mantém os juros altos para atrair investidores. Quando precisa de dinheiro, e precisa sempre, recorre aos bancos que, com os juros altos, ganham muito dinheiro e não têm interesse em oferecer crédito para empresas comuns.
O empresário acredita, diz Ribeiro, que isso só vai mudar quando o governo parar de governar querendo apenas fazer média com as massas. Hoje, comenta, os dirigentes preferem agir de forma paternalista, concedendo bolsas disso e daquilo, mas não atacam de frente o problema que é o pequeno crescimento econômico. ''As pessoas não querem esmola, querem sim é cidadania e isso só se consegue com trabalho e emprego''.
De acordo com ele, um dos problemas é a reeleição. Este ano a carga tributária atingiu quase 40% do Produto Interno Bruto. É um dos maiores índices do mundo. Ribeiro afirma que os governantes iniciam os mandatos já pensando na reeleição e, desta forma, evitam fazer as reformas necessárias, como a tributária e a política, para não contrariar interesses.
''Só que agindo assim o país não cresce. A distribuição de renda continua absurdamente desigual. A impressão que se tem é que os governos, seja municipal, estadual ou federal, querem ser as únicas estrelas do processo. Como cada um puxa para um lado, não há avanço algum. O pior é que as campanhas não mostram claramente o que os candidatos querem fazer''.


