Faltam profissionais com qualificação
Há vagas. A frase pode parecer incoerente num País onde só se fala em desemprego, em falta de vagas de trabalho. Mas é isto que está acontecendo em alguns segmentos da economia. Em Londrina, por exemplo, com a explosão dos empreendimentos imobiliários, as construtoras estão com dificuldades para contratar pedreiros, carpinteiros, azulejistas e outros profissionais da área.
Esta falta de mão-de-obra especializada tem provocado uma mudança no padrão salarial destas categorias. Hoje um pedreiro em Londrina ganha mais do que um balconista de loja. Os salários médios deste profissional estão batendo nos R$ 1,3 mil por mês. Mais do que o dobro do que eles ganhavam há poucos anos.
Na área contábil, por exemplo, há vagas disponíveis, mas não há mão-de-obra para preenchê-las. Segundo o presidente do Sescap-Ldr, Marcelo Esquiante, com o fim dos cursos técnicos que eram obrigatórios nas escolas públicas nos anos 70, deixou-se de formar mão-de-obra técnica que é muito importante para praticamente todas as empresas. ''Hoje há uma infinidade de universidades e cursos superiores. Todos querem fazer faculdade e se esquecem que um trabalho técnico pode ser muito mais rentável financeiramente do que um diploma universitário'', comenta Esquiante. O próprio Sescap-Ldr, diz Esquiante, tem uma escola de formação de profissionais para fornecer mão-de-obra para os escritórios de contabilidade.
Outras áreas estão sofrendo os mesmos problemas. O presidente do Conselho Municipal do Trabalho, Jaime Junior da Silva Cardoso, afirma que há uma demanda grande para carpinteiros, tapeceiros e operador e extrusor para a produção de materiais plásticos, por exemplo. ''Temos vagas, mas não temos profissionais disponíveis no mercado. Parece que as pessoas deixaram de ter interesse por estas profissões. Todos querem ter diploma universitário, ser gerentes, diretores, e falta mão-de-obra para demais tarefas'', analisa Cardoso.
Segundo ele, o próprio Conselho Municipal do Trabalho precisou se adequar aos novos tempos. Cardoso explica que até o ano passado as verbas que eram destinadas pelo Ministério do Trabalho para treinamento e qualificação profissional, para auxiliar a recolocação de pessoas no mercado de trabalho, eram enviadas a Curitiba e lá a Secretaria do Trabalho decidia quais cursos iria oferecer para Londrina. ''O problema é que nem sempre o curso que o pessoal de Curitiba decidia criar em Londrina era o que a demanda da nossa cidade pedia. Hoje as verbas vêm para cá e analisamos quais cursos o mercado sente necessidade''.
Um exemplo, segundo ele, é o telemarketing. Várias empresas do segmento se instalaram na cidade. Uma delas, a Dedic, está expandindo a operação em Londrina e, conforme Cardoso, irá precisar de cerca de 2 mil novos funcionários. ''As operadoras de telemarketing têm como treinar o pessoal que contrata, mas nem todas as empresas podem ou conseguem fazer isso. Por isto precisamos estar atentos para suprir o mercado. É preciso investir em mão-de-obra técnica. É um mercado em expansão e financeiramente interessante para estes profissionais'', avalia Cardoso.
Fonte: Sescap-Ldr - Sindicato das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações, Pesquisas e Serviços Contábeis de Londrina





