Oswaldo Petrin
De Londrina
Sustentabilidade. O termo resume todas preocupação com a tecnologia que garante a condição para a terra continuar produzindo; para que recursos naturais, como o solo, continuem gerando riqueza e garantindo a vida no campo. E na cidade.
Primeiro, a ciência mostrou que era possível produzir em escala, sem agredir tanto a terra como vinha ocorrendo. Veio o plantio direto (PD); melhor ainda: sistema de plantio direto (SPD) porque não envolve exclusivamente o solo, é um conjunto de ações. O homem precisava mudar suas atitudes perante o solo.
Depois da validação do PD, era preciso melhorá-lo enquanto sistema. As áreas de Engenharia Agrícola e de Solos do Iapar são referência nacional em termos de uso correto do solo e bom uso dos equipamentos. É dos técnicos da pesquisa que vem a seguinte preocupação: sem a adequação dos equipamentos em uso e/ou sua substituição por equipamentos adaptados, fica difícil a adoção de manejos ideais. Os agricultores não inovam porque não contam com recursos para este investimento; as indústrias não lançam novos equipamentos porque falta demanda.
Portanto, hoje quem defende linhas de crédito para a mecanização - ou melhor para um bom sistema de plantio direto -não são apenas os agricultores ou a indústria do setor, mas os pesquisadores que atuam no próprio governo, com isenção e dotados de lastro científico suficientes para argumentar.
Como parte de um programa de pesquisa de mais de 15 anos, a engenharia agrícola começou nos últimos três anos a avaliar as máquinas existentes no mercado. Objetivo: sugerir adequações para um manejo do solo dentro de uma técnica já consagrada, o SPD.
‘‘Estamos abertos ao desenvolvimento de novos equipamentos. Uma coisa é você agir na adaptação de uma máquina já existente, que já tem todo um projeto definido e as alterações acabam sendo limitadas. Outra coisa é você trabalhar num projeto novo: é mais fácil e eficaz’’, afirma o pesquisador Ruy Casão, da Área de Engenharia Agrícola.
‘‘O que temos observado - afirma - é que a convivência com as indústrias tem sido instável em função da sua dependência de um mercado relacionado com o financiamento’’, afirma o pesquisador.
Por que isto? O Iapar, que como órgão público tem compromisso social e comprometimento com o ambiente - tem procurado dar ênfase às multisemeadoras pois o emprego dessa máquina é mais econômico e tecnicamente mais correto, pois faz todo o serviço de semeadura.
O que está mais difundido hoje são máquinas que plantam culturas de verão e fazem o plantio soja-milho safrinha, por exemplo. O que se defende, para o bom uso do solo, são equipamentos que levem em conta a cobertura do solo. Seria interessante hoje que o mercado pudesse estar comprando este tipo de máquinas. O pesquisador Garibaldi Batista de Medeiros, especialista em solos, concorda com o raciocínio e acrescenta que a cobertura é fator de proteção.
Os estudos também identificaram que é possível reduzir a potência exigida por algumas semeadoras, levando-se em consideração que na agricultura ainda existem muitos tratores com potência abaixo de 80 ha.
Outro fator a ser considerado é a qualidade da semeadora. Em solos argilosos, em função da compactação superficial, os componentes de ataque ao solo (contato com o solo), mais especificamente a haste sulcadora - que é imprescindível nessa condição - acaba por mobilizar muito o solo na linha da semeadura. A pesquisa acha que é possível semear revolvendo o menos possível o solo. Hoje em dia há alternativa para que seja feito um melhor acabamento da semeadura, fazendo com que o solo e a palha revolvidos sejam retomados para o sulco. Teremos, assim, o que se pode chamar de ‘‘plantio direto invisível’’, ou seja o plantio quase não altera a condição da cobertura morta que está protegendo o solo. Há outros fatores como distribuição de sementes, fertilizantes, aderência de solos em componentes, travamento de componentes durante a operação, desgaste de máquinas, risco dos operadores e outros.
Representantes das indústrias afirmam que o setor depende do financiamento ao produtor. Apenas 10% dos produtores compram máquinas com recursos próprios.O sistema de plantio direto chegou num impasse no Paraná. Para evoluir precisa crédito para máquinas mais apropriadas
RADICALMesmo em condições rústicas é possível realizar o ‘‘PD invisível’’ com semeadoras dotadas de hastes para abrir sulcos

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