Faltam investimentos em inovação sustentável
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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Diogo Cavazotti<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Apenas em 2009, o Brasil investiu R$ 32 bilhões em pesquisas e projetos de inovação, sendo R$ 17 bilhões por meio do setor público. Isso representa apenas 40% do que é investido na China, onde o valor chegou a R$ 83 bilhões. O baixo investimento na área reflete o problema da quase inexistência de leis para o setor, além da falta de conversa entre as universidades e empresas privadas. Este será um dos assuntos abordados na 10 edição da Conferência Anual da Associação Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento das Empresas Inovadoras (Anpei), que será promovido entre 26 e 28 de abril, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), através do Centro de Inovação, Educação, Tecnologia e Empreendedorismo do Estado (Cietep). O tema do encontro é a cooperação necessária para se desenvolver a inovação sustentável.
Essa é a primeira vez que o evento será realizado no Paraná. Das 150 empresas brasileiras que integram a associação, apenas 12 estão localizadas no Estado. O encontro também servirá para buscar novos parceiros regionais.
Segundo o engenheiro Mario Barra, membro da diretoria da Anpei, a inovação é um trabalho contínuo na vida do empresário. ''O estudo só é bom quando beneficia a sociedade, por isso, deve ser facilitada a ponte entre a pesquisa e as empresas'', afirma.
Em resumo, funciona assim: a universidade precisa de investimento para realizar as pesquisas. Os empresários têm o dinheiro e poderão contribuir se acharem que aquele estudo irá beneficiar o trabalho deles. ''Para sobreviver, a empresa deve estar em conexão com o mercado. Para isso, a universidade e a indústria devem trabalhar juntas'', diz Barra.
Alguns recentes exemplos mostram que a parceria funciona. A Petrobras é hoje líder mundial na extração de petróleo em águas profundas. Grande parte disso deve-se ao investimento feito há alguns anos para levantar as pesquisas necessárias.
Outro exemplo é o uso do eucalipto, que oferece vantagens em comparação a outras espécies florestais utilizadas para a produção de celulose. Há aproximadamente 25 anos o Brasil investiu em estudos nesse setor e hoje consegue, de forma eficaz, produzir o material através de fibra curta. A celulose de eucalipto transformou o Brasil no maior produtor mundial do produto.
Mas é necessário que o investimento para a área de pesquisas aumente bastante. ''Precisamos de financiamentos reais, sem muitas burocracias. O governo sozinho não consegue cobrir esse débito. O deficit está no setor privado'', revela Barra. A meta é que o investimento no setor seja de, no mínimo, 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Mas se não houver engajamento, o valor de 2010 pode ficar abaixo do registrado em 2009, que foi de 1,13% do PIB.
Barra diz que já existe uma boa cooperação das empresas em incentivar a pesquisa dentro das universidades. Mas é necessária uma política que coloque um direcionamento eficaz neste setor. Desta forma será possível reeducar o Brasil e fazer o País acreditar no caráter da inovação. Informações sobre a conferência podem ser obtidas no site www.anpei.org.br/xconferencia.


